A Doença de Alzheimer afeta o funcionamento do cérebro de forma lenta e progressiva, comprometendo duas ou mais funções como: memória, linguagem, atenção, raciocínio lógico, julgamento, planejamento, habilidade visual e espacial. Ela é considerada a principal causa de demência, representando cerca de 50% a 80% dos casos. Além disso, interfere intensamente as atividades diárias das pessoas (1).  

A enfermidade é incurável e se agrava ao longo do tempo (2). Entretanto, quando diagnosticada no início, é possível retardar seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida aos pacientes e à família (2).  

 

Causas 

Não se sabe o motivo exato da causa da doença, mas estudos indicam que algumas alterações cerebrais já estão instaladas antes do aparecimento dos sintomas demenciais (2). Sendo assim, é possível identificar manifestações clínicas em exames que permitem o diagnóstico logo no início da demência (2). 

A doença primeiramente atinge o hipocampo, estrutura cerebral responsável pelo processamento da memória, e com o tempo avança para outras regiões do cérebro, causando a morte dos neurônios (3). Esses danos são irreversíveis e causam o aparecimento dos sintomas da demência (3).  

 

Sintomas 

A doença se desenvolve de maneiras diferentes entre as pessoas, e ela é dividida em três estágios (4): 

Inicial 

  • Lapsos de memória para acontecimentos recentes; 
  • Repete várias vezes a mesma coisa; 
  • Dificuldade para lidar com atividades mais complexas como pagar contas, planejar viagens, dirigir…); 
  • Esquecer compromissos; 
  • Confusão; 
  • Evita encontros sociais; 
  • Faz julgamentos errados; 
  • Tem dificuldade para encontrar palavras para se expressar; 
  • Apresenta alterações de humor, comportamento e personalidade sem motivo aparente. 

 Moderado ou intermediário 

  • Agravamento dos sintomas da fase anterior; 
  • Incapacidade de realizar atividades diárias de forma independente; 
  • Perda da capacidade de nomear objetos, pessoas e compreender a linguagem oral e/ou escrita; 
  • Desorientação do tempo e espaço; 
  • Incapacidade de sair sozinha de casa; 
  • Necessidade de supervisão constante; 
  • Incapacidade de se expressar de forma correta; 
  • Redução da capacidade física (dificuldade de locomoção). 

 Grave 

  • Normalmente fica de cama, precisa de assistência para tudo; 
  • Perda total de memória, inclusive de acontecimentos mais antigos; 
  • Apresenta dificuldade para engolir; 
  • Quase não fala; 
  • Perda total do controle urinário e fecal; 
  • Pode ter atrofia dos membros; 
  • Fica vulnerável a complicações como: lesões na pele, infecção de rins e pulmões, desnutrição e desidratação. 

 

Diagnóstico 

Existem três níveis de diagnósticos (5): 

  • Possível: quadros que iniciam com sintomas que não são característicos do Alzheimer; 
  • Provável: quadros com sintomas característicos do Alzheimer. Para completas o diagnóstico, são incluídos exames como neuroimagem, tomografia ou ressonância do crânio, com o objetivo de excluir outras possibilidades de doenças ou condições; 
  • Definitivo: após a morte, com exame do tecido cerebral por autopsia. 

 

Fatores de risco 

Existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento da doença, que normalmente se manifesta após os 65 anos de idade (2). Confira alguns deles (3): 

  • Genética: alguns estudos indicam que a influência genética pode representar de 1% a 5% dos casos da doença; 
  • Sexo feminino: atinge mais mulheres que homens (uma relação de 3 a para 2) – uma explicação possível é o fato da mulher viver mais que o homem, normalmente; 
  • Baixo nível educacional: alguns estudos indicam que pessoas com baixa atividade intelectual possivelmente fazem menos sinapses (ligações entre neurônios), o que pode ajudar no desenvolvimento precoce dos sinais da doença; 
  • Traumatismo crânio-encefálico: fraturas de crânio e lesões no encéfalo, principalmente quando há a perda de consciência, podem aumentar as chances de desenvolvimento do Alzheimer; 
  • Doenças cardiovasculares: o controle dos níveis de pressão e colesterol ajudam a prevenir derrames e outras condições que podem prejudicar o funcionamento correto do cérebro; 
  • Diabetes: a utilização da glicose no cérebro de pessoas com Alzheimer é prejudicada, e isso é muito parecido com o que acontece com pessoas com Diabetes tipo II; 
  • Depressão: há evidências que pessoas que normalmente sofrem com depressão têm duas vezes mais chances de desenvolver Alzheimer – isso acontece por conta dos altos níveis de cortisol (hormônio do estresse), que também podem causar a morte dos neurônios; 
  • Obesidade: pessoas obesas normalmente têm mais chance de desenvolver doenças cardiovasculares, o que pode causar alterações e desenvolver demências. 

 

Tratamento 

O começo do tratamento logo após o surgimento dos primeiros sinais é a melhor forma para atrasar a evolução da doença (6).  

Existem duas formas de tratamento: farmacológico e o não-farmacológico: 

  • Farmacológico (6): medicamentos que controlam sintomas da doença (depressão, psicoses, alterações de comportamento, distúrbios de sono) e conservam a cognição por um pouco mais de tempo; 
  • Não-farmacológico (7): atividades como a estimulação cognitiva, social e física podem ajudar a preservar a atenção, memória, linguagem e orientação. Pacientes mais ativos usam o cérebro de maneira mais ampla, amenizando os sintomas. 

De toda forma, fique atento à sua memória e a de pessoas próximas, e ao sinal de qualquer falha constante, consulte um médico especialista.  

Fontes: 
1 – Instituto Alzheimer Brasil – O que é Doença de Alzheimer? Disponível em http://www.institutoalzheimerbrasil.org.br/demencias-detalhes-Instituto_Alzheimer_Brasil/31/o_que_e_doenca_de_alzheimer_  
2- Associação Brasileira de Alzheimer – O que é Alzheimer? Disponível em http://abraz.org.br/web/sobre-alzheimer/o-que-e-alzheimer/  
3- Instituto Alzheimer Brasil – Fatores de risco e de proteção. Disponível em http://www.institutoalzheimerbrasil.org.br/demencias-detalhes-Instituto_Alzheimer_Brasil/34/fatores_de_risco_e_de_protecao  
4- Instituto Alzheimer Brasil – Fases da Doença de Alzheimer. Disponível em http://www.institutoalzheimerbrasil.org.br/demencias-detalhes-Instituto_Alzheimer_Brasil/37/fases_da_doenca_de_alzheimer__da_  
5- Instituto Alzheimer Brasil – Diagnóstico de Demência e Doença de Alzheimer – Novos Critérios. Disponível em http://www.institutoalzheimerbrasil.org.br/demencias-detalhes-Instituto_Alzheimer_Brasil/36/diagnostico_de_demencia_e_doenca_de_alzheimer_-_novos_criterios  
6- Instituto Alzheimer Brasil – Tratamento. Disponível em http://www.institutoalzheimerbrasil.org.br/demencias-detalhes-Instituto_Alzheimer_Brasil/38/tratamento  
7- Associação Brasileira de Alzheimer – Tratamento. Disponível em http://abraz.org.br/web/sobre-alzheimer/tratamento/