A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória crônica que afeta aproximadamente 1% da população adulta mundial (1). É caracterizada pela inflamação do tecido sinovial (responsável por alinhar as articulações com tendões) de múltiplas articulações, que pode levar à destruição tecidual, dor, deformidades e redução da qualidade de vida do paciente (1). 

Com a progressão da doença, os pacientes ficam incapacitados de exercer atividades diárias comuns – como trabalho -, o que causa um impacto econômico significativo para o paciente e sociedade (2).  

 

Causas 

Ainda não se conhecem as causas, mas pesquisas mostram que o antígeno leucocitário humano (codifica proteínas de superfície para o sistema imune adaptativo) pode ser o principal fator genético para seu desenvolvimento (3). 

Além disso, estudos relacionam o tabagismo e infecções periodontais como fatores ambientais que podem contribuir para o surgimento da doença (3).  

 

Sintomas 

As manifestações clínicas podem iniciar em qualquer idade, mas são mais observadas entre os 40 e 50 anos de idade (1). Além disso, a doença pode ter desde sintomas mais brandos e de menor duração até os progressivos e destrutivos (1).  

As articulações mais afetadas são as dos tornozelos e punhos, mas também pode afetar joelhos, ombros, cotovelos e quadris (1).  

Alguns sintomas das regiões afetadas incluem (1): 

  • Edema; 
  • Dor; 
  • Calor local; 
  • Rubor local. 

 

Diagnóstico 

O diagnóstico é estabelecido com base em achados clínicos e exames complementares (3).  

Exames de imagem sofisticados têm contribuído de forma significativa para o diagnóstico precoce de artrite reumatoide (1). A ressonância magnética evidencia precocemente alterações tanto de tecidos moles como de cartilagem e ossos (1).  

Além de uma histórica e exame físico completos, a avaliação inicial do paciente deve documentar sintomas de atividade da doença, estado funcional, evidências de inflamação articular, problemas mecânicos articulares, presença de comprometimento extra-articular e de lesão radiográfica (2).  

A avaliação inicial pode ser dividida nas seguintes etapas (2): 

Medidas subjetivas: 

  • Duração da rigidez matinal; 
  • Intensidade da dor articular; 
  • Limitação da função. 

Exame físico: 

  • Número de articulações inflamadas; 
  • Problemas articulares mecânicos: limitação da amplitude de movimento, crepitação, instabilidade e deformidades; 
  • Manifestações extra-articulares. 

Laboratório: 

  • Hemograma completo; 
  • Velocidade de hemossedimentação e/ou proteína C reativa; 
  • Função renal; 
  • Enzimas hepáticas; 
  • Exame qualitativo da urina; 
  • Fator reumatoide; 
  • Análise do líquido sinovial. 

Radiografia: 

  • Radiografia das articulações das mãos, dos pés e das demais articulações comprometidas. 

Outros: 

  • Avaliação global da atividade da doença feita pelo paciente; 
  • Avaliação global da atividade da doença feita pelo médico; 
  • Questionários de avaliação da capacidade funcional ou qualidade de vida. 

 

Prevenção 

Não existe prevenção contra a artrite reumatoide, mas o diagnóstico e tratamento precoces ajudam a combater suas complicações (4). 

 

Tratamento 

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para o controle da doença e prevenção da incapacidade funcional e lesão articular irreversível (2). Infelizmente a cura completa da doença é alcançada raramente (2).  

A abordagem terapêutica começa com a educação do paciente e familiares, expondo riscos e benefícios das possibilidades de tratamentos (2). O médico reumatologista analisará as possibilidades, dividindo opções com o paciente. 

Os tratamentos podem ser (2): 

  • Medicina Física e Reabilitação: fisioterapia e terapia ocupacional podem contribuir para que o paciente continue exercendo atividades do cotidiano. A proteção articular garante o fortalecimento da musculatura, e o programa adequado de flexibilidade evita o excesso de movimento; 
  • Medicamentoso: varia de acordo com o estágio da doença, a atividade do paciente e gravidade da situação, devendo ser mais agressivo conforme a doença progride; 
  • Agentes Biológicos ou Novas Drogas Modificadoras do Curso da Doença: os avanços biotecnológicos permitem uma compreensão melhor das doenças, que resultam em bloqueadores que impedem a destruição cartilaginosa e óssea; 
  • Cirurgia: pode acontecer em situações que outras medidas não controlem os sintomas. 

 

Fontes: 

1 – Goeldner I, Skare TL, Reason ITM, Utiyama SRR. Artrite reumatoide: uma visão atual. J Bras Patol Med Lab 2011;47(5):495-503. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/jbpml/v47n5/v47n5a02.pdf 

2-  Laurindo IMM, Ximenes AC, Lima FAC, Pinheiro GRC, Batistella LR, Bertolo MB et al . Artrite reumatóide: diagnóstico e tratamento. Rev Bras Reumatol. 2004; 44(6): 435-42. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0482-50042004000600007&script=sci_arttext 

3- Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS – Ministério da Saúde – Protocolo Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. Artrite Reumatoide. 2014. Disponível em http://conitec.gov.br/images/Protocolos/Artrite-Reumatoide.pdf  

4- Sociedade Portuguesa de Reumatologia – Artrite Reumatoide. Disponível em http://www.spreumatologia.pt/doencas/artrite-reumatoide/como-prevenir-/172