Dia 02 de abril é celebrado como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, que é um transtorno de desenvolvimento que pode aparecer nos três primeiros anos de vida e compromete as habilidades de comunicação e interação social. Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria estimam que no Brasil, dentro do universo de transtornos mentais (que inclui autismo, dislexia e síndrome de Down, entre outros), cerca de 23 milhões de pessoas apresentam algum tipo de distúrbio, e 5 milhões deles são considerados graves.

O autismo é muito mais complexo do que se imagina – e a associação aos sintomas mais frequentes não leva em consideração níveis e características diferentes, consideradas dentro do chamado Transtorno do Espectro Autista: um conjunto de déficits persistentes na vida de uma pessoa, que podem variar de uma deficiência leve de habilidade de fala ou relacionamento até restrições mais severas de dificuldade de comunicação, relacionamento ou funções cognitivas, como a fala e a locomoção.

As causas que levam ao desenvolvimento do problema ainda são desconhecidas. Pesquisa divulgada este ano pela Revista da Associação Médica Americana (JAMA) fala dos riscos da exposição de bebês a drogas durante a gestação, e como isso afeta o desenvolvimento do cérebro e pode causar inclusive mutação de genes. Esta é uma das vertentes que está em pesquisa por médicos e cientistas, que reforçam também a importância dos fatores de risco ambientais, que podem também interferir nas habilidades listadas no Transtorno de Espectro Autista.

O diagnóstico de autismo deve ser feito por um psiquiatra ou neurologista, e leva em consideração uma série de fatores individualmente. Médicos indicam que é preciso uma combinação de sintomas, sendo dois predominantes, para confirmar o diagnóstico de autismo. Eles estão relacionados principalmente à falta de habilidade ao comunicar-se e a comportamentos restritos ou repetitivos. Contudo, uma característica geralmente associada a autismo e que não é universal é o atraso ou ausência de desenvolvimento de linguagem, que podem ser diagnosticados inclusive em pacientes não portadores de Transtorno do Espectro do Autismo.

É importante ressaltar que o autismo não tem cura. Contudo, o acompanhamento especializado com profissionais da saúde como psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo e fisioterapeuta pode ajudar a diminuir algumas limitações diagnosticadas, favorecendo a qualidade de vida do paciente.

Confira abaixo alguns fatores considerados de risco para o desenvolvimento da Síndrome do Espectro Autista:

  • Sexo masculino: meninos são de quatro a cinco vezes mais propensos a desenvolver autismo do que meninas
  • Histórico familiar: famílias que tenham um indivíduo com autismo têm mais chances de apresentar outros casos
  • Outros transtornos: alguns problemas de saúde tendem a aumentar os riscos do desenvolvimento do autismo em crianças, como epilepsia e esclerose tuberosa
  • Idade dos pais: quanto mais avançada a idade dos pais, maiores as chances de a criança desenvolver autismo até os três anos.

 

Fontes:
http://www.abp.org.br/portal/autismo-precisamos-esclarecer/
http://www.abp.org.br/portal/hoje-0704-e-dia-mundial-da-saude-e-a-associacao-brasileira-de-psiquiatria-abp-vem-declarar-o-seu-luto-pela-saude-publica-no-brasil/
http://www.abp.org.br/portal/autismo-precisamos-esclarecer/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29590280 – The Emerging Clinical Neuroscience of Autism Spectrum Disorder: A Review.
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