Bursite é uma inflamação da bolsa sinovial – estrutura cheia de líquido que se localiza entre um tendão e a pele entre o tendão e o osso, com função de amortecimento, e auxílio no deslizamento dos tecidos e sua nutrição (1).  

Ela pode ser aguda ou crônica, e normalmente atinge ombros, cotovelos e quadril, mas pode ocorrer também nos joelhos, calcanhares e no dedão do pé, além de outras articulações que realizam movimentos repetitivos (1). 

 

Causas 

A causa mais comum da doença é a repetição de movimentos ou posições que possam causar danos às bursas (1). Algumas situações comuns (1): 

  • Lançar bolas ou levantar algo sobre a cabeça repetidamente; 
  • Apoiar-se nos cotovelos por longos períodos de tempo; 
  • Ajoelhar-se por muito tempo; 
  • Ficar muito tempo sentado em posições desconfortáveis ou superfícies duras; 
  • Traumas ortopédicos; 
  • Processos reumatológicos; 
  • Gota; 
  • Infecção. 

Qualquer pessoa pode desenvolver a bursite, mas existem fatores de risco que podem aumentar o surgimento da doença (1): 

  • Idade: tem ocorrência mais comum com o envelhecimento; 
  • Ocupações ou hobbies: trabalhos ou atividades que requerem movimentos repetitivos ou que exerçam pressão sobre uma determinada articulação podem ajudar no desenvolvimento da doença. Alguns exemplos são jardinagem, pintura e tocar instrumentos musicais; 
  • Outras condições médicas (como artrite reumatoide, gota, diabetes e certas doenças sistêmicas) podem aumentar o risco de desenvolvimento. 

Ela pode surgir de trauma único de forte intensidade ou de micro-traumas repetitivos, mas também pode estar associada à condições reumáticas, metabólicas, infecciosas e pode não ter causa específica (2).  

 

Sintomas 

Alguns sintomas da bursite são (1 e 2): 

  • Dor e rigidez nas articulações e sensibilidade ao pressionais a região ao redor da articulação; 
  • Rigidez e dor ao mover a articulação afetada; 
  • Dor, principalmente noturna; 
  • Inchaço, calor ou vermelhidão na articulação, principalmente quando relacionadas a infecção. 

 

Diagnóstico 

Ao tiver dúvidas sobre os sintomas e visitar um médico, ele analisará os procedimentos e exames físicos para identificar as articulações lesionadas. Além disso, fará o levantamento do histórico do paciente para analisar exatamente o problema de cada um (1). Entre os pontos analisados, identifique alguns que exigem atenção para identificar a doença (1): 

  • Dor nas articulações ou em regiões próximas delas; 
  • Dor por mais de uma ou duas semanas; 
  • Inchaço excessivo, vermelhidão ou erupções na região afetada; 
  • Dor aguda, especialmente quando faz algum exercício ou esforço; 
  • Febre. 

Após identificar os sintomas, o médico fará a solicitação dos exames, que podem incluir raios-X da região, ultrassom e exame de ressonância magnética (1).  

 

Prevenção 

Nem todos os tipos de bursite podem ser prevenidos, mas existem formas de reduzir os riscos de contrair a doença e de até mesmo reduzir os sintomas (1): 

  • Use almofadas de joelhos ou algum tipo de preenchimento para reduzir a pressão sobre os joelhos, caso sua atividade exija que fique nessa posição; 
  • Dobre os joelhos ao se levantar – não levantar de forma correta pode causar uma pressão adicional sobre as bursas dos quadris; 
  • Evite carregar muito peso acima da cabeça – isso pode danificar as bursas dos ombros; 
  • Faça pausas frequentemente – prefira atividades repetitivas alternadas com descanso; 
  • Tente não ficar sentado em apenas uma posição por muito tempo – isso coloca pressão nas bursas dos quadris e nádegas; 
  • Mantenha um peso saudável – excesso de peso coloca mais estrese nas articulações; 
  • Exercite-se – o fortalecimento dos músculos protege as articulações; 
  • Faça alongamento e aquecimento antes das atividades físicas. 

 

Tratamento 

A bursite, quando não tratada, pode evoluir para problemas mais graves, como a bursite crônica (1). Existem algumas medidas que podem ser feitas para aliviar a dor (1): 

  • Descanso e imobilização da região afetada; 
  • Aplicação de gelo para reduzir o inchaço; 
  • Amortecimento dos joelhos, usando um travesseiro entre as pernas para dormir; 
  • Evitar pressão sobre o cotovelo; 
  • Alongamentos e fortalecimentos. 

Outras recomendações que podem ajudar o tratamento é o repouso com a inativação dos pontos de gatilho com massoterapia, meios físicos, infiltração ou acupuntura (3). Técnicas de relaxamento também podem ajudar, assim como reeducação postural e adequação de ambientes de trabalho (3).  

No entanto, a visita ao médico é necessária para identificar a melhor forma de tratamento para cada caso – o que pode incluir medicação, terapia, injeções, punção da região afetada e até mesmo cirurgia (1). 

 

Fontes: 
1 – Sociedade Brasileira para Estudo da Dor – SBED. Bursite. Disponível em http://www.sbed.org.br/lermais_materias.php?cd_materias=565&friurl=-Bursite-  
2- Sociedade Brasileira de Reumatologia – Tendinites e bursites. 2011. Disponível em https://www.reumatologia.org.br/pacientes/orientacoes-ao-paciente/tendinites-e-bursites/   
3- Ministério da Saúde do Brasil – Organização Pan-Americana da Saúde/Brasil. Doenças relacionadas ao trabalho – Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde. 2001. Disponível em https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_docman&view=download&alias=207-doencas-relacionadas-ao-trabalho-manual-procedimentos-para-os-servicos-saude-7&category_slug=saude-e-ambiente-707&Itemid=965