Câncer de pele

O câncer de pele é o tipo mais comum de neoplasia, atingindo 33% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil (1). Somente o Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra cerca de 180 mil casos todos os anos, tanto do tipo melanoma quanto do não-melanoma (2).  Ambos são causados por crescimento anormal e descontrolado das células que formam a pele, mas afetam o organismo de forma diferente, tendo também tratamentos diferentes. A prevenção com o cuidado na exposição ao sol e visitas frequentes ao dermatologista são algumas das medidas mais simples recomendadas pelos médicos.

– Câncer de pele não-melanoma (CPNM): é o tipo mais comum, afetando geralmente pessoas com mais de 40 anos, com pele clara e sensível ao sol. Quem já teve outras doenças dermatológicas também pode ter mais risco de desenvolver o câncer de pele. Contudo, tem altos percentuais de cura quando detectado precocemente. O INCA estima que sejam mais de 165 mil novos casos em 2018, entre homens e mulheres, com 1% de letalidade (2). É dividido entre carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma epidermoide ou espinocelular (CEC), ocorrem nas áreas de maior exposição ao sol (mãos, cabeça e pescoço) e diferenciam-se pela aparência.

– Câncer de pele melanoma (CPM): apesar de ser o tipo menos frequente, representando 3% dos cânceres de pele, o melanoma é mais grave já que tem maiores chances de metástase – quando o câncer se espalha além do local onde começou para outras partes do corpo. Afeta principalmente adultos de pele clara. Com o avanço dos diagnósticos e tratamentos tem bom prognóstico, especialmente se detectado cedo. O INCA estima em 6 mil novos casos em 2018, com cerca de 1.500 mortes (3).

 

Causas

A principal causa de ocorrências de câncer de pele é a exposição ao sol sem proteção adequada, especialmente para casos de não-melanoma. Especialistas reforçam também que profissionais que trabalham ao ar livre, como construção civil, pesca e atividades esportivas, têm maior risco de desenvolver a doença (4), especialmente para pessoas de pele muito clara, e em regiões com maior incidência solar – próximo à linha do Equador, por exemplo (5). No caso de melanomas, as lesões podem acontecer inclusive em áreas de pouca exposição ao sol (4) – nestes casos, a alta exposição sem proteção tende a agravar o caso.  Outros fatores de risco para melanoma são a existência de lesões, pintas ou manchar irregulares; idade adulta; histórico de melanoma na família; baixa imunidade; sensibilidade ao sol e exposição excessiva ao sol (4).

 

Sintomas

Os sintomas variam de acordo com o tipo do câncer de pele, e se referem mais à aparência das lesões e sua localização no corpo.

Para câncer de pele não-melanoma, o Carcinoma basocelular é o tipo mais frequente. Aparece em áreas de mais exposição ao sol, como rosto, pescoço, ombros e costas, e parece um nódulo com aparência perolada (1). O carcinoma espinocelular pode aparecer nas mesmas áreas e tem aparência mais endurecida, com sinais de dano solar, sendo causado não só pela exposição ao sol como também pela exposição a certos agentes químicos ou à radiação (1).

A característica principal de lesões para câncer de pele melanoma é o fato de as manchas ou pintas mudarem de cor, de tamanho ou de formato, podendo até causar sangramento. Podem aparecer em várias partes do corpo,  e ser originárias mesmo em uma área do corpo sem lesão aparente (3).

Independente do tipo, sempre que notar alguma alteração em manchas ou pintas pelo corpo, um médico deve ser consultado para melhor avaliação.

 

Diagnóstico 

Como o câncer de pele pode ser confundido com pintas, verrugas ou outros sinais, é importante que um exame clínico feito por um médico identifique eventuais lesões e indique o tratamento correto. Uma biópsia pode ser necessária para complementar esta análise. Antes da consulta, verifique se alguma pinta mudou de cor, textura ou tamanho, especialmente se há sangramento ou com crosta, e indique ao médico sua existência (1).

Além dos exames clínicos, testes genéticos podem verificar mutações de genes para diagnóstico de melanoma. Considerando o fator de risco da hereditariedade, manter exames preventivos regularmente ajuda a diminuir o risco de ocorrências de novas lesões (1). Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as possibilidades de cura (3).

Para auxiliar na identificação de alterações, dermatologistas utilizam a regra do ABCDE. Você pode verificar em casa, mas somente um médico pode fechar um diagnóstico e avaliar corretamente.

 

Regra do ABCDE (3):

A – Assimetria: se uma metade é diferente da outra;

B – Borda: contorno mal definido;

C – Cor: presença de várias cores em uma mesma lesão;

D – Dimensão: maior que 6 milímetros;

E – Evolução: mudanças de forma, tamanho ou cor.

 

Tratamento 

A cirurgia é o tratamento mais indicado tanto para os casos de não-melanoma quanto para melanoma. Contudo, carcinomas basocelulares de menor extensão ou mais simples podem ser tratadas com medicamento tópico ou radioterapia (2).  Carcinomas também podem ser tratados com imunoterapia, mas somente um médico especializado pode orientar o melhor tratamento (1). No caso de melanomas, de acordo com o estágio da doença e condições gerais do paciente, o médico pode indicar radioterapia e quimioterapia (3).

 

Prevenção

Evitar exposição solar sem proteção, examinar periodicamente sua pele e ir ao dermatologista são algumas das formas de prevenir o câncer de pele (1). Pessoas com pele clara, sardas, cabelos e olhos claros são consideradas de maior risco, junto com quem tem histórico familiar e queimaduras solares (1).  Para estas pessoas, as medidas de proteção a seguir devem ser reforçadas:

– Evitar a exposição solar entre 10 e 16h. Nos outros horários, proteger as áreas expostas com roupas apropriadas, além de protetor solar com fator de proteção 30, no mínimo.

– O uso do protetor solar deve ser feito diariamente. Recomenda-se também reaplicar o produto a cada duas horas, especialmente em atividades ao ar livre.

– Cuide também das crianças. Mantenha-os sempre protegidos do sol. Bebês a partir de 6 meses podem usar protetor solar adequado para a idade.

– Profissionais que trabalham ao ar livre devem contar com vestuário apropriado, além do uso de protetor solar (5)

– Consulte um dermatologista pelo menos uma vez ao ano.

 

 

Fontes:
1 – Sociedade Brasileira de Dermatologiahttp://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/cancer-da-pele/64/
2 – Instituto Nacional do Câncer – INCAhttp://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/pele_nao_melanoma
3 – Instituto Nacional do Câncer – INCAhttp://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/pele_melanoma
4 – Guinar Azevedo e Silva Mendonça – Risco crescente de melanoma de pele no Brasil em https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0034-89101992000400012&script=sci_arttext&tlng=#ModalArticles
5 – Albanita Gomes da Costa de Ceballos; Solange Laurentino dos Santos; Ana Catarina Alves e Silva; Bruna Rafaele Vieira Pedrosa; Mateus Morais Aires Camara; Sarah Luanne Silva – Exposição Solar Ocupacional e Câncer de Pele Não Melanoma: Estudo de Revisão Integrativa em Revista Brasileira de Cancerologia – http://www.inca.gov.br/rbc/n_60/v03/pdf/10-revisao-literatura-exposicao-solar-ocupacional-e-cancer-de-pele-nao-melanoma-estudo-de-revisao-integrativa.pdf