Hipertensão arterial é uma doença definida pela persistência de pressão arterial acima do normal, sendo hoje considerada um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e cerebrovasculares¹ 

 

A hipertensão arterial sistêmica também conhecida como “pressão alta”, pode causar sérios danos ao organismo do indivíduo². Por isso, considera-se essencial que o hipertenso adote hábitos de vida saudáveis para manutenção e controle dos níveis pressóricos, minimização dos agravos da doença e melhorias da qualidade de vida². 

 

A hipertensão arterial se associa a frequentemente alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não-fatais¹. É fator de risco para insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência renal crônica, aneurisma de aorta e retinopatia hipertensiva¹ 

 

Quando associada a outros fatores de risco como diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo, os níveis pressóricos podem ser ainda mais elevados e as consequentes lesões de órgãos-alvo ainda mais graves¹. 

 

Fatores de risco¹ 

 

Idade – O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial e, aqui no Brasil, vem ocorrendo de forma bastante acelerada. Com o evoluir da idade, aumenta a incidência de doenças crônicas, e, dentre elas, a mais prevalente é a hipertensão arterial sistêmica, que afeta mais de 60% dos indivíduos nesta faixa etária, aumentando progressivamente com o passar dos anos e atingindo mais mulheres e negros; 

 

Sexo e etnia – Dados da literatura indicam que o sexo não representa fator de risco para hipertensão, mostrando que a prevalência global entre homens é bastante próxima. Os afrodescendentes apresentam prevalência consideravelmente maior que indivíduos brancos 

 

Fatores socioeconômicos – Estudos mostram que há uma maior ocorrência de hipertensão arterial entre indivíduos de nível socioeconômico mais baixo e este fato pode estar associado aos hábitos dietéticos desta população (maior consumo de sal e álcool); índice de massa corpórea aumentado; maior estresse psicossocial; menor acesso aos cuidados de saúde e menor nível de escolaridade; 

 

Ingestão de sal – Sabe-se que aproximadamente 50% dos hipertensos são sensíveis ao sal e o uso exagerado deste está associado ao maior risco de hipertensão. Ingestão aumentada de sódio tem sido observada em populações com baixo nível socioeconômico; 

 

Obesidade – Existem vários estudos mostrando a associação entre obesidade e a presença de hipertensão arterial, mas esta relação ainda não está completamente explicada. Talvez esta relação possa ser explicada pela resistência à insulina, aumento da absorção renal de sódio, ativação do sistema nervoso simpático e aumento da resistência vascular periférica. Calcula se que 20 a 30% dos casos de hipertensão estejam diretamente associados ao excesso de peso e que 75% dos homens e 65% das mulheres apresentem hipertensão diretamente atribuível ao sobrepeso ou obesidade. 

 

Álcool – O consumo de álcool tem um efeito bifásico na pressão arterial. Pequenas quantidades diminuem seus valores, provavelmente devido ao efeito vasodilatador. No entanto, o uso contínuo e crônico faz os níveis de pressão aumentarem e diminui a eficácia dos anti-hipertensivos.  

 

Sedentarismo – O sedentarismo é um problema fundamental de saúde pública no mundo e contribui com a epidemia crescente de obesidade e aumento da ocorrência de doenças como hipertensão. O sedentarismo aumenta o risco de hipertensão em 30% quando comparado com indivíduos ativos, e a atividade aeróbica tem efeito hipotensor mais acentuado em indivíduos hipertensos do que em normotensos 

 

Controle  

Existem algumas medidas de prevenção para a hipertensão arterial que podem ser adotadas desde a infância e adolescência. A ênfase e importância destas medidas estão na abordagem familiar e mudanças no estilo de vida². O controle do peso, manutenção de uma dieta balanceada, prática de exercícios físicos regulares são algumas medidas simples que, se implementadas desde fases precoces da vida, reduzem o risco de desenvolvimento de complicações cardiovasculares nestes indivíduos². 

 

Diagnóstico 

O diagnóstico consiste na média aritmética da pressão arterial maior ou igual a 140/90mmHg, verificada em pelo menos três dias diferentes com intervalo mínimo de uma semana entre as medidas, ou seja, soma-se a média das medidas do primeiro dia mais as duas medidas subsequentes e divide-se por três³. A constatação de um valor elevado em apenas um dia, mesmo que em mais do que uma medida, não é suficiente para estabelecer o diagnóstico de hipertensão³. 

 

Deve-se evitar verificar a PA em situações de estresse físico (dor) e emocional (luto, ansiedade), pois um valor elevado, muitas vezes, é consequência dessas condições³. O exame físico da pessoa com hipertensão arterial é muito importante e não somente classifica a pressão arterial, como pode detectar lesões de órgão-alvo e identificar outras condições que, associadas, aumentam a morbimortalidade e influenciam no tratamento³. 

 

Tratamento 

 

O tratamento não medicamentoso é parte fundamental no controle da hipertensão arterial e de outros fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV), como obesidade e dislipidemia³. Esse tratamento envolve mudanças no estilo de vida (MEV) que acompanham o tratamento do paciente por toda a sua vida, adotando hábitos saudáveis como alimentação, diminuição do consumo de álcool, prática de atividade física, controle do peso e abandono do tabagism³. 

 

Quando a pessoa não se mostra motivada no processo de mudança de hábitos, o uso de anti-hipertensivos deve ser oferecido, de acordo com o método clínico centrado na pessoa³. O tratamento medicamentoso utiliza diversas classes de fármacos selecionados de acordo com a necessidade de cada pessoa, com a avaliação da presença de doenças simultâneas, lesão em órgãos-alvo, história familiar, idade e gravidez³. Frequentemente, pela característica multifatorial da doença, o tratamento da hipertensão arterial requer associação de dois ou mais anti-hipertensivos³. 

 

Fontes: 
1 – Manual de Orientação Clínica HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS) – Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – 2011. Disponível em http://www.saude.sp.gov.br/resources/ses/perfil/gestor/destaques/linhas-de-cuidado-sessp/hipertensao-arterial-sistemica/manual-de-orientacao-clinica-de-hipertensao-arterial/lc_hipertensao_manual_2011.pdf. Último acesso no dia 07 de maio de 2019. 
2 – HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA: PROJETO DE INTERVENÇÃO PARA O ENFRENTAMENTO DA DOENÇAUNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA. Disponível em https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/hipertensao-arterial-sistemica-projeto-intervencao-enfretamento-doenca-pacs.pdfÚltimo acesso no dia 07 de maio de 2019. 
3 – Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: hipertensão arterial sistêmica / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estrategias_cuidado_pessoa_doenca_cronica.pdfÚltimo acesso no dia 07 de maio de 2019.