A Organização Mundial de Saúde (OMS) identifica o tabagismo como principal causa de doenças, invalidez e morte que podem ser evitáveis¹. Metade dos usuários de tabaco podem morrer em consequência das doenças causadas pelo fumo¹. Aproximadamente cinco milhões de mortes são atribuídas anualmente ao tabaco e metade dessas mortes ocorre em idade produtiva entre 45-54 anos¹. Até 2030, essas cifras podem duplicar, principalmente em países de baixa renda e menor escolaridade¹.  

 

No Brasil, a ocorrência de fumantes na população adulta é em torno de 16%¹. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) calcula que no País 200 mil mortes por ano poderiam ser evitadas se as pessoas não fumassem¹. 

 

tabagismo é considerado hoje como uma doença, de dependência química à droga nicotina, e não apenas uma opção de estilo de vida¹. Pelas reconhecidas consequências do tabagismo à saúde humana, o tratamento deve ser valorizado da mesma forma que o tratamento para hipertensão ou diabetes¹. Se o fumante tem dificuldades em deixar de fumarele necessitará de uma abordagem semelhante à utilizada no combate de outras dependências químicas.  

 

Como ocorre em qualquer outra dependência, ao tentar deixar de fumar, o paciente poderá ter sintomas da síndrome de abstinência (irritabilidade, ansiedade, depressão, falta de concentração, tonturas, cefaleia e distúrbios do sono), dependência psicológica com forte compulsão para repetir o uso da nicotina¹. 

 

Tratamento² 

O tratamento da dependência à nicotina tem como base uma abordagem cognitiva e comportamental, definida como um modelo de intervenção centrado na mudança de crenças e comportamentos. Em relação ao tabagismo, a abordagem deve ter como objetivo a detecção de situações de risco que levam o indivíduo a fumar, e o desenvolvimento de estratégias para enfrentamento dessas situaçõesvisando não só a cessação do tabagismo, mas também a prevenção de recaídas. 

 

Em casos específicos podem ser utilizados medicamentos que servem de apoio a essa abordagem. O uso de medicamentos tem um papel decisivo no processo para parar de fumar, que é o de minimizar os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina. Portanto, qualquer medicamento não deve ser utilizado isoladamente, e sim em associação à abordagem ao tabagista. 

 

Dicas para parar de fumar¹ 

  • Marcar o Dia D – definir uma data que será o primeiro dia sem cigarros. É importante não deixar cigarros facilmente acessíveis a partir dele; 
  • Beber água – andar com uma garrafinha e ingerir aproximadamente 3 litros de água por dia. A água desempenha papel fundamental no tratamento de qualquer dependência química, diminuindo as fissuras. Evita a constipação intestinal, que pode ocorrer nos primeiros dias sem nicotina; 
  • Iniciar uma atividade física – pode ser fonte de prazer alternativa ao prazer proporcionado pela droga. Ajuda a aliviar o estresse e contribui para evitar o ganho de peso após a cessação do tabagismo, ajudando na manutenção da abstinência; 
  • Ingerir alimentos pouco calóricos e ricos em fibras – frutas e verduras devem estar disponíveis durante o processo de parada, pois são opções mais saudáveis, ajudando a controlar o ganho de peso e ativar o intestino; 
  • Relaxar – respirar profundamente e usar técnicas de relaxamento podem ajudar nos momentos de fissura; 
  • Parar de fumar pode não ser fácil, mas não é impossível, pois enquanto estamos vivos somos capazes de mudar. 

 

Benefícios à saúde¹ 

  • A função pulmonar melhora após dois a três meses;
  • O risco de câncer de pulmão reduz em 30 a 50%; 
  • O risco de DPOC – doença pulmonar obstrutiva crônica – diminui, assim como o risco de resfriados, gripes, bronquite e pneumonia;
  • A tosse, cansaço, falta de ar e congestão dos seios faciais diminui após dois a três meses;
  • Diminui o risco de câncer de laringe e de doenças cardiovasculares, úlcera péptica, câncer de boca, esôfago, bexiga, rim, estômago, pâncreas e câncer de colo de útero. 

 

Fontes: 
1 – Doenças respiratórias crônicas – Ministério da Saúde. 2010. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_respiratorias_cronicas.pdf. Último acesso em 14 de agosto de 2019.  
2 – PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS DEPENDÊNCIA À NICOTINA – Governo do Estado de São Paulo. Disponível em http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-cronicas-nao-transmissiveis/doc/dcnt/2014_diretrizes_inca_terapia_nicotina.pdfÚltimo acesso em 14 de agosto de 2019.