O botulismo é uma doença bacteriana rara e grave, que pode levar à morte, causada pela bactéria Clostridium botulinum, que entra no organismo através da ingestão de alimentos contaminados, como enlatados, conservados ou fermentados inadequadamente, por infecção intestinal por C. botulinum em lactentes, infecções de feridas e inalação¹,².

Esta bactéria produz as toxinas botulínicas que são as mais perigosas e letais conhecidas, que bloqueiam as funções nervosas e podem levar à paralisia respiratória e muscular. Existem sete formas distintas de toxina botulínica; quatro deles (tipos A, B, E e raramente F) causam doença em humanos; os outros tipos (C, D e E) causam doenças em outros mamíferos, pássaros e peixes².

O botulismo não é contagioso, ou seja, não se transmite de pessoa para pessoa. Suas principais formas são:

Botulismo alimentar – Ocorre pela ingestão de alimentos contaminados e/ou produzidos e conservados de maneira inadequada. O período de incubação pode variar de 2 horas a 10 dias, com média de 12 a 36 horas. Quanto maior a concentração de toxina no alimento ingerido, menor o período de incubação¹.

Botulismo por ferimentos – Apesar de raras, este tipo é causado pela contaminação em ferimentos como úlceras crônicas com tecido necrótico, fissuras, esmagamento de membros, ferimentos em áreas profundas, agulhas em usuários de drogas injetáveis e lesões nasais ou sinusais, em usuários de drogas inalatórias. O período de incubação pode variar de 4 a 21 dias, com média de 7 dias¹.

Botulismo intestinal – É quando as bactérias ingeridas através do alimento contaminado se fixam no intestino e se multiplicam. Seu período de incubação é incerto pois não é possível saber quando o alimento contaminado foi ingerido¹.

Botulismo infantil – Este é o mesmo tipo intestinal, porém é mais frequente em crianças com idade entre 3 e 26 semanas. Uma das principais causas são a ingestão de mel de abelha nas primeiras semanas de vida. Esta doença pode ser responsável por 5% dos casos de morte súbita em recém-nascidos¹.

Botulismo por inalação – É raro e não ocorre naturalmente. Está associado a eventos acidentais ou intencionais que resultam na liberação de toxinas em aerossóis. A dose letal mediana para humanos foi estimada em 2 nanogramas de toxina botulínica por quilograma de peso corporal, o que é aproximadamente 3 vezes maior do que nos casos de origem alimentar².

O diagnóstico é realizado através de um exame clínico e posterior exame laboratorial, que irá identificar a toxina no organismo. O tratamento é feito através da administração de uma antitoxina e, quanto mais precoce for identificada, maiores as chances de não se tornar letal. Os casos mais graves também precisam de tratamentos suporte, como a ventilação mecânica, que pode ser necessária por semanas ou até meses. Em caso de botulismo por ferimentos, é indicado o uso de antibióticos. Se tratado adequadamente, a doença tem cura e não deixa sequelas¹,².

 

Fontes:
1- Botulismo: causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção – Ministério da Saúde- Brasil. Disponível em https://saude.gov.br/saude-de-a-z/botulismo. Último acesso em 13 de julho de 2020.
2- Botulism – Organização Mundial da Saúde. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/botulism. Último acesso em 13 de julho de 2020.