Esclerose Múltipla 

A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune – as células de defesa do organismo atacam o próprio Sistema Nervoso Central, provocando lesões cerebrais e medulares (1). É uma das causas mais comuns de incapacidade neurológica crônica em adultos jovens (2), de caráter inflamatório e degenerativo que causa grande impacto na vida dos portadores (3).  

Ela predomina em pessoas entre 18 e 50 anos de idade e é considerada como a doença neurológica de maior incapacitação física em adultos jovens (4).  A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla estima que existem 35 mil brasileiros com a doença (1), que não é contagiosa (1).  

Causas 

É uma doença desmielinizante do Sistema Nervoso Central (SNC) de evolução crônica, causada por um processo seletivo de inflamação com desmielinização (danificação da bainha de mielina do neurônio) (4). Como consequência, surgem alterações no líquido cefalorraquidiano (responsável pela proteção do SNC) como a presença e/ou aumento de bandas IgC oligoclonais (marcadores de aumento da imunidade humoral e da síntese intratecal de imunoglobulinas), características da esclerose múltipla (4).  

A hipótese mais aceita é de que a doença seja uma conjunção de predisposição genética e um fator ambiental desconhecido que ao se apresentar em um mesmo indivíduo, originariam uma disfunção do sistema imunológico que desenvolveria uma ação autolesiva na substância branca (pacotes de células nervosas mielinadas), com perda de oligodendrócitos (células responsáveis pela formação e manutenção das bainhas de mielina) e mielina, o que ocasionaria um defeito na condução dos impulsos nervosos, causando o surgimento dos sintomas (2).  

Sintomas 

Os sintomas mais comuns relacionam a fadiga (cansaço intenso e incapacitante), dificuldade para se expôr ao calor, alterações fonoaudiológicas (fala lenta, palavras arrastadas, voz trêmula e dificuldade para engolir), transtornos visuais (visão embaçada ou dupla), problemas de coordenação (perda de equilíbrio, tremores, instabilidade ao caminhar, vertigens, náuseas ou fraqueza), espaticidade (rigidez de um membro, principalmente os inferiores), transtornos cognitivos (falta de memória, dificuldade no processamento de informações), transtornos emocionais (ansiedade, depressão ou irritabilidade) e sexuais (disfunção erétil, diminuição da lubrificação e comprometimento da sensibilidade do períneo) (1). 

As disfunções cognitivas são caracterizadas por déficits de memória, atenção, velocidade de processamento de informação e funções executivas (5). Alguns indivíduos apresentam alterações em memórias recentes e na fluência verbal (5). Entretanto, outros sintomas com comprometimento nas áreas motoras e cerebelares também são percebidos (5).  

Diagnóstico 

Os pacientes são submetidos a análise de ficha-médica, exames neurológicos, ressonância magnética e coleta de liquor. Alguns testes neuropsicológicos com baterias foram desenvolvidos especialmente para detectar sinais da doença em pacientes que apresentam os sintomas (5).  

Prevenção 

Ainda não é possível prevenir a esclerose múltipla por ainda não foi descoberta uma forma de restaurar a mielina danificada ou restabelecer as funções perdidas (6). 

Tratamento 

Existem tratamentos medicamentosos que reduzem a inflamação e os surtos ao longo dos anos. O tratamento ideal é indicado após a análise do caso e o contato com o médico (1). 

Fontes:
  1. Associação Brasileira da Esclerose Múltipla. O que é Esclerose Múltipla? Disponível em http://abem.org.br/esclerose/o-que-e-esclerose-multipla/
  2. MOREIRA, Marcos Aurélio; FELIPE, Eduardo; MENDES, Maria Fernanda; TILBERY, Charles Peter. Esclerose Múltipla – Estudo Descritivo de duas Formas Clínicas em 302 Casos. 2000. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/%0D/anp/v58n2B/2247.pdf
  3. MORALES, Rogério de Rizo; MORALES, Nívea de Macedo Oliveira; ROCHA, Fernando Coronetti Gomes da; FENELON, Sheila Bernardino; PINTO, Rogério de Melo Costa; SILVA, Carlos Henrique Martins da. Qualidade de Vida em Portadores de Esclerose Múltipla. 2007. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/anp/v65n2b/18
  4. PUCCIONI-SOHLER, Marzia; LAVRADO, Fabiola Passeri; BASTOS, Reizer Reis Gonçalves; BRANDÃO, Carlos Otávio; PAPAIZ-ALVARENGA, Regina. Esclerose Múltipla – Correlação Clínico-Laboratorial. 2001. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/%0D/anp/v59n1/v59n1a17.pdf
  5. NEGREIROS, Marco Aurélio; LANDEIRA-FERNANDEZ, Jesus; KIRCHMEYER, Cíntia Villela; PAES, Renata Alves; ALVARENGA, Regina; MATTOS, Paula. Alterações cognitivas em indivíduos brasileiros com esclerose múltipla surto-remissão. 2011. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v60n4/a06v60n4.pdf
  6. ALMEIDA, Lúcia Helena Rios Barbosa de; OLIVEIRA, Francisco Tomaz Meneses de; SILVA, Milena Karen Miranda da; ROCHA, Fabricia Cavalcante; NASCIMENTO, Francisca Caroline Lopes do; SILVA, Grazielle Roberta Freitas da. Conhecimento dos profissionais de saúde sobre esclerose múltipla. 2011. Disponível em http://www.redalyc.org/html/3072/307226629004/