A sífilis é uma doença infecciosa, exclusiva do ser humano, conhecida desde o século XV e seu estudo ocupa todas as especialidades médicas¹. Tem como principal via de transmissão o contato sexual, seguido pela transmissão vertical para o feto durante o período de gestação de uma mãe com sífilis não tratada ou tratada inadequadamente¹. Também pode ser transmitida por transfusão sanguínea¹. A apresentação dos sinais e sintomas da doença é muito variável e complexa¹. Quando não tratada, evolui para formas mais graves, podendo comprometer o sistema nervoso, o aparelho cardiovascular, o aparelho respiratório e o aparelho gastrointestinal¹. 

 

Sintomas 

Os sinais e sintomas da sífilis variam de acordo com cada estágio da doença, que se divide em²: 

 

Sífilis primária 

  • Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias. 
  • Normalmente não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de caroços na virilha. 

Sífilis secundária 

  • Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. 
  • Pode ocorrer manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em bactérias. 
  • Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo. 

Sífilis latente – fase assintomática 

  • Não aparecem sinais ou sintomas. 
  • É dividida em sífilis latente recente (menos de dois anos de infecção) e sífilis latente tardia (mais de dois anos de infecção). 
  • A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária. 

Sífilis terciária 

  • Pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção. 
  • Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte. 

 

 Causas 

É causada pela bactéria Treponema pallidum, através de micro abrasões durante a relação sexual, ou através de passagem direta pelo sangue, através da placenta, durante a gestação. Mais raramente, pode ser transmitida via transfusão sanguínea, ou via indireta, por objetos contaminados (como agulhas em tatuagens). 

A bactéria não é combatida por anticorpos, e dissemina-se facilmente via sangue e via sistema linfático, para todos os órgãos³. 

 

Diagnóstico 

Nos estágios mais iniciais, em que há úlcera, são usados testes de visualização direta da bactéria na lesão. As sorologias (exames de sangue) podem ser ou não específicas para o treponema (as primeiras usadas para triagme, e as segundas, para confirmação do diagnóstico). O exame do liquor é necessário para o diagnóstico de neurossifilis, quando há suspeita de acometimento do sistema nervoso central. E para o diagnóstico de sífilis congênita (adquirida pelo feto na gestação), além das sorologias colhidas de tempos em tempos no bebê (sempre comparando com a sorologia da mãe), é feito RX dos ossos longos. 

 

 Tratamento:  

O tratamento de escolha é a penicilina benzatina (benzetacil), que poderá ser aplicada na unidade básica de saúde mais próxima de sua residência².Esta é, até o momento, a principal e mais eficaz forma de combater a bactéria causadora da doença².  

Para neurossifilis, o tratamento preconizado é penicilina cristalina. Há alternativas à penicilina, mas não são tão eficazes³. 

Quando a sífilis é detectada na gestante, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, com a penicilina benzatina². Este é o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical, ou seja, de passar a doença para o bebê². A parceria sexual também deverá ser testada e tratada para evitar a reinfecção da gestante² 

 

São critérios de tratamento adequado à gestante²: 

 

  • Administração de penicilina benzatina; 
  • Início do tratamento até 30 dias antes do parto; 
  • Esquema terapêutico de acordo com o estágio clínico da sífilis; 
  • Respeito ao intervalo recomendado das doses. 

 

 Prevenção:  

O uso correto e regular da camisinha feminina e/ou masculina é a medida mais importante de prevenção da sífilis, por se tratar de uma infecção sexualmente transmissível². O acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal de qualidade contribui para o controle da sífilis congênita². 

 

FONTES: 

1 – Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde. SÍFILIS Estratégias para Diagnóstico no Brasil – disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sifilis_estrategia_diagnostico_brasil.pdf. Último acesso em 26 de abril de 2019. 
2 – Sífilis: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção. Ministério da Saúde. Disponível em http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/sifilis-2. Último acesso em 26 de abril de 2019. 
3 –  Avalleira JCR, Bottino G. Sífilis: diagnóstico, tratamento e controle. An Bras Dermatol. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962006000200002. Último acesso em 03 de maio de 2019.