Você conhece a endometriose? É uma doença caracterizada pela presença de tecido localizado fora da cavidade do útero, normalmente no peritônio pélvico (revestimento dos órgãos abdominais), nos ovários ou no septo retovaginal (1). Hoje, ela já atinge cerca de 5% a 15% das mulheres em período reprodutivo (2) e o número de casos por todo o mundo já ultrapassa 70 milhões (2).  

Causas 

Uma das principais causas para o surgimento da endometriose é a “menstruação retrógrada” – quando o fluxo sanguíneo volta pelas tubas uterinas e atinge órgãos próximos da região (3) -, a falha do sistema imunológico (3) ou até mesmo a transformação das células que acabam assumindo características do endométrio fora do útero (3). Outro fator de risco para o desenvolvimento da doença é ter casos na família (3). 

Diagnóstico 

Após a identificação dos sintomas, é realizado o exame físico para confirmar o diagnóstico. Embora o diagnóstico definitivo é o histológico, feito por laparoscopia (realizado na cavidade abdominal sob anestesia geral), diversos exames laboratoriais e de imagem já podem predizer o diagnóstico (1).  

Sintomas 

Alguns principais sintomas da endometriose (3): 

  • Cólica menstrual (presente em 90-95% dos casos); 
  • Dor profunda na vagina ou na pelve durante relação sexual; 
  • Dor pélvica contínua não relacionada à menstruação; 
  • Constipação intestinal ou diarreia no período menstrual; 
  • Dor para evacuar; 
  • Sangramento nas fezes; 
  • Dor para urinar;
  • Sangramento na urina; 
  • Infertilidade. 

Prevenção 

Algumas pesquisas relacionam a endometriose com a falta de exercícios físicos, exposição à substâncias tóxicas e baixa ingestão de vitaminas e fibras (4). Dessa forma, a prática de atividades físicas pode ajudar o corpo a eliminar coágulos que podem vir a desenvolver a doença, além de diminuir a secreção do estrogênio, hormônio que favorece o surgimento dela (4).  

Outra forma de prevenção é evitar o consumo de álcool e o tabagismo, fatores que podem atrapalhar a maturação dos óvulos. O cigarro, por exemplo, é responsável por 13% dos casos de infertilidade feminina (4). Além disso, apostar no consumo de vitaminas, frutas, verduras e fibras, ajuda a controlar processos que prejudicam o endométrio (4). 

Tratamento 

É necessária uma análise médica de cada paciente, considerando sintomas individualizados, assim como os locais de acometimento e profundidade das lesões (1). O tratamento pode ser medicamentoso (o que é indicado para a maior parte dos casos) ou cirúrgicos (para mulheres que não apresentem melhoras com os medicamentos) (1). 

Uma das principais preocupações em relação à doença é a infertilidade, mesmo que cerca de 50% das mulheres com endometriose possam engravidar sem o tratamento (3). Os índices apontam que entre 50% a 70% das mulheres com a doença tem infertilidade, e que cerca de 40% das mulheres inférteis tem endometriose (3).  

 

Fontes: 
1 – Aspectos atuais do diagnóstico e tratamento da endometriose. NÁCUL, Andrea Prestes; SPRITZER, Pou Mara. 2010. Disponível em https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/62009/000865335.pdf?sequence=1  
2 – Revista da Associação Médica Brasileira. Aspectos epidemiológicos e clínicos da endometriose pélvica – uma série de casos. BELLELIS, Patrick; DIAS JE, João Antônio; PODGAEC, Sérgio; GONZALES, Midgley; BARACAT EDMUND, Chada; ABRÃO, Maurício Simões. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302010000400022 
3 – Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva. O que é endometriose? Disponível em http://www.sbendometriose.com.br/site/conteudo.aspx?IdConteudo=102#conteudo  
4 – A vivência de infertilidade e endometriose: pontos de atenção para profissionais da saúde. VILA, Ana Carolina Dias; VANDENBERGUE, Luc; SILVEIRA, Nusa de Almeida. 2010.Disponível em http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?pid=S1645-00862010000200004&script=sci_arttext&tlng=en