Filho de pai caminhoneiro e mãe costureira, o empresário Carlos Wizard construiu um dos maiores grupos educacionais do Brasil e a maior rede de franquias de idiomas do mundo, que em 2014 vendeu para a britânica Pearson. Exemplo de empreendedorismo e ousadia no mundo empresarial, está à frente dos negócios ainda hoje, que vão de rede de franquias de produtos naturais à academia com o jogador de futebol Ronaldo, com unidades nos Estados Unidos e China. É autor dos livros “Desperte O Milionário Que Há Em Você” e “Sonhos Não Tem Limites”.

Aos 17 anos, você foi para os Estados Unidos com 100 dólares no bolso em busca de aprendizado. Que ensinamentos esta experiência deixou em sua vida?

Carlos Wizard – Logo que cheguei consegui emprego em um restaurante, onde lavava pratos, arrumava as mesas, limpava o chão, trabalhava de
garçom. Mais tarde, mudei para Salt Lake City, em Utah, onde fica a sede da Igreja Mórmon. Depois, com 26 anos fui estudar na Universidade Brigham Young, em Utah. Foi uma experiência difícil, desafiadora. Quando terminei o 1º semestre, minhas notas foram péssimas. Isso fez com que eu me sentisse incapaz e fracassado. Por um momento quase desisti. Cheguei a pensar em abandonar os estudos e retornar ao Brasil.  Porém, quando cheguei em casa e expus isso para a minha esposa, Vania, ela foi bastante enfática ao dizer: “você não vai desistir no primeiro semestre. Imagine o exemplo que vai dar aos nossos filhos. Enquanto você não se formar, não voltaremos”. A firmeza dela naquele momento de fragilidade emocional foi fundamental. Durante o período em que estive na universidade BYU, fui convidado para lecionar português no centro de idiomas MTC (Missionary Training Center). Todas essas experiências me auxiliaram a desenvolver técnicas e competências para mais tarde empreender no setor de educação no Brasil.

O que considera seu maior erro na vida? O que aprendeu com este erro?

Carlos Wizard – Em 1987, quando o Brasil era governado por Sarney, com a alta inflação, havia muito desemprego e eu queria abrir uma escola de inglês. Era uma época em que eu trabalhava das 8h às 18h e dava aulas de inglês para amigos, em casa, depois do expediente. Como a procura tinha aumentado, minha esposa passou a dar aulas também. Como o espaço ficou pequeno e a procura aumentou, pensei em abrir uma escola de inglês. Naquele momento foi quando tive uma péssima ideia: fui pedir conselhos aos meus amigos. Depois que contei minha ideia, eles disseram que eu estava louco, que eu ia trocar o certo pelo incerto, que tinha muita concorrência e que dar aulas de inglês não dava futuro para ninguém. Aquilo foi um balde de água fria. Portanto, aprendi que quando você tem um sonho, é preciso acreditar em si mesmo, em seu potencial e na realização de seu grande projeto de vida.

Por que temos tanto medo de errar? O que devemos fazer para realmente aprender com os erros?

Carlos Wizard –  Acredito que o medo de errar é próprio do ser humano. Entretanto, esse medo faz com que muitas pessoas não consigam progredir em seus objetivos. Algumas pessoas são tomadas por uma sensação de medo, se hipnotizam e aceitam um resultado modesto como uma condição permanente e satisfatória. O medo paralisa! Apesar de procurarmos maneiras de minimizar as possibilidades de erro, nem sempre é possível evitá-lo. Quando ele acontece, mais importante do que ficar se lamentando e procurando culpados, é procurar entender qual foi exatamente o motivo que levou ao erro, erguer a cabeça e seguir em frente em busca dos seus objetivos. O erro faz parte do acerto e faz parte do processo e traz maturidade ao empreendedor.

O que é essencial em um negócio ou numa carreira de sucesso?

Carlos Wizard – Em primeiro lugar é essencial ter um objetivo bem definido em mente. Tanto para um negócio ou uma carreira, é importante que o profissional tenha foco no que deseja alcançar. Quem não tem foco e prioridades não chega a lugar algum. Também é essencial realizar um trabalho de ordem emocional com sua própria mente. Quem é bem-sucedido, nunca dá desculpas para não seguir em frente com o que sonha. Algumas pessoas dizem: “não vou abrir meu negócio porque a economia não anda bem” ou “estamos num momento de incertezas políticas” ou “há muita concorrência nesse setor”. A pessoa com essa atitude será sempre um assalariado. Já o empreendedor de sucesso pensa que, se a economia não vai bem, ele vai planejar o negócio para atender a alguma necessidade do mercado. Tudo é questão de atitude! Além disso é necessário ter uma estratégia capaz de atingir o mercado em larga escala.

O que faria diferente se fosse começar hoje sua jornada empreendedora?

Carlos Wizard – Com a experiência que tenho hoje, certamente poderia fazer muitas coisas diferentes. Entretanto, se formos considerar a experiência que tinha quando comecei, acredito que fiz as melhores escolhas possíveis e que, de alguma forma, foram o que me trouxe até aqui.

Voçê é dono de 14 empresas e construiu uma fortuna. Como encontra estímulo para continuar empreendendo, e em áreas tão distintas?

Carlos Wizard – Para quem ama o que faz e sente prazer em exercer suas funções diárias, trabalho não é trabalho, mas uma fonte de autorrealização e satisfação pessoal. Atualmente eu poderia estar aposentado, mas essa é uma palavra que não faz parte do meu dicionário. Assumi como missão pessoal a de contribuir para a formação de uma nova geração de empreendedores no Brasil. Acredito que o sucesso somente é sucesso quando ele é compartilhado. Por isso meu objetivo é auxiliar o maior numero de pessoas a realizarem seus sonhos de terem um futuro melhor. Foi isso que me motivou a lançar o projeto Aloha, o maior empreendimento social deste país. Oferecemos treinamento e qualificação profissional para milhares de pessoas em todo o Brasil. Nossa meta é formar uma rede com 100 mil consultoras até o final desse ano.

Fonte: Revista Panorama (informativo interno do Grupo Eurofarma)