O brasileiro indicado ao prêmio Nobel da Paz 2018, Luiz Gabriel Tiago, trilhou seu caminho por meio da gentileza. Este é o seu codinome: Sr. Gentileza. Há sete anos, Luiz criou a empresa social Pontinho de Luz, com sede em Niterói, Rio de Janeiro, para realizar treinamento com pessoas e empresas interessadas em despertar a empatia. Com os recursos dos treinos, realizados em todo o Brasil e também Argentina e Uruguai, além de doações, a Pontinho de Luz conduz suas ações sociais. É autor dos livros Gentileza no Trabalho e Como Driblar a Raiva no Trabalho.

Como foi receber a indicação para o prêmio Nobel da Paz?

Sr. Gentileza – As indicações são feitas por pessoas elegíveis para sugerirem nomes. Um jurista indicou meu nome, sem meu conhecimento. A notícia chegou por e-mail, mas achei que era spam e apaguei. Quando ligaram demorei para acreditar. Estou assimilando aos poucos. Há uma trajetória. Em sete anos, cerca de 1.500 pessoas saíram da miséria por conta da Pontinho de Luz. É uma conquista, levando em conta que a gente faz tudo com poucos recursos. Nossa rede de solidariedade tem 35 mil pessoas espalhadas pelo mundo.

Por que decidiu criar uma empresa social e não uma instituição?

Sr. Gentileza – Li sobre o trabalho do Muhammad Yunus, [economista de Bangladesh laureado com o Nobel da Paz em 2006], que disseminou esse conceito de empresa social. Quem disse que você precisa ser rico para ajudar? A empresa social é autossustentável, uma ONG você depende de terceiros.

Como funciona o “treinamento gentileza”?

Sr. Gentileza – Não se trata de um curso apostilado, mas sim de uma vivência de final de semana. Por meio de dinâmicas em grupo buscamos despertar a empatia. Tenho mestrado em Educação e os estudos levaram à fundamentação do treinamento. O participante do curso é abraçado depois pela Pontinho de Luz.

Qual o alcance das ações sociais?

Sr. Gentileza – No Rio de Janeiro e São Paulo entregamos cestas básicas para famílias cadastradas. Atualmente são 90 famílias, uma média de 450 pessoas que se alimentam por conta da Pontinho de Luz. Também prestamos ajuda à população de rua, e as ações se espalham conforme a localidade. No interior do Mato Grosso, auxiliamos uma tribo indígena.

Como surgiu a ideia de disseminar a gentileza?

Sr. Gentileza – Não existe um grande motivo. Fui vendedor ambulante no centro do Rio de Janeiro e convivi com o “Profeta Gentileza” [José Datrino], personalidade urbana que pregava pela cidade frases sobre gentileza. Quando fazia mestrado lembrei-me dele. Eu sofria tanta pressão no trabalho, com falta de respeito, que decidi por esse caminho, a reeducação do indivíduo por meio da gentileza.

De que maneira podemos ajudar a disseminar mais gentileza?

Sr. Gentileza – Ser gentil com quem é gentil é fácil, o desafio é ser gentil com aqueles que não são. As pessoas mais hostis são as que mais precisam de gentileza. Alguém precisa levantar a bandeira branca.

 

Fonte: Revista Panorama (informativo interno do Grupo Eurofarma)