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A esquizofrenia e os denominados transtornos esquizofrênicos constituem um grupo de distúrbios mentais graves, caracterizados por distorções do pensamento e da percepção (1).  

Os transtornos esquizofrênicos afetam aproximadamente 0,6% da população e não há evidência de diferença entre os sexos (1). Normalmente tem início ao fim da adolescência ou no começo da vida adulta (2). Com o tratamento adequado e suporte social, as pessoas afetadas podem voltar a ter uma vida produtiva e integrada à sociedade (2).  

 

Causas 

As causas da esquizofrenia ainda são desconhecidas (1). O modelo da doença de maior aceitação é o da “vulnerabilidade versus estresse”, que propõe que existe o desenvolvimento de sintomas na presença de estressores ambientais e na falha dos mecanismos para lidar com eles (1). Os fatores de vulnerabilidade são baseados em um componente biológico, que inclui predisposição genética interagindo com fatores complexos físicos, ambientais e psicológicos (1).  

 

Sintomas 

Existe uma hierarquia de sintomas (1). 

Sintomas de maior hierarquia (1): 

  • Eco, inserção, roubo ou irradiação de pensamento; 
  • Delírios de controle, influência ou passividade, claramente relacionados ao corpo ou a movimentos dos membros ou a pensamentos, ações ou sensações específicos; percepção delirante; 
  • Vozes alucinatórias fazendo comentários sobre o comportamento do paciente ou discutindo entre si, ou outros tipos de vozes alucinatórias advindas de alguma parte do corpo; 
  • Delírios persistentes de outros tipos que sejam culturalmente inapropriados e completamente impossíveis (por exemplo, ser capaz de controlar o tempo ou estar em comunicação com alienígenas). 

Sintomas de menor hierarquia (1): 

  • Alucinações persistentes, de qualquer modalidade, quando ocorrerem todos os dias, por pelo menos um mês, quando acompanhadas de delírios (os quais podem ser superficiais ou parciais), sem conteúdo afetivo claro ou quando acompanhadas por ideias superestimadas persistentes; 
  • Neologismos, interceptações ou interpolações no curso do pensamento, resultando em discurso incoerente ou irrelevante; 
  • Comportamento catatônico, tal como excitação, postura inadequada, flexibilidade cérea, negativismo, mutismo e estupor;  
  • Sintomas “negativos” como apatia marcante, pobreza de discurso, embotamento ou incongruência de respostas emocionais (deve ficar claro que tais sintomas não são decorrentes de depressão ou medicamento neuroléptico). 

O paciente tem a sensação de que seus pensamentos, sentimentos e atos mais íntimos são sentidos ou partilhados por outros. Pode desenvolver delírios explicativos de que as forças externas influenciam pensamentos e ações (1). O paciente pode exibir um pensamento vago, elíptico e obscuro, acreditando que situações normais da vida possuem um significado particular, em geral sinistro, relacionado unicamente com ele (1). Pode haver a sensação de interrupção do curso do pensamento e a sensação de que as ideias são retiradas por um agente exterior (1). O humor é caracteristicamente superficial ou incongruente, acompanhado, com frequência, de inércia, negativismo e estupor (1). 

 

Diagnóstico 

Para o diagnóstico da esquizofrenia, exige-se a presença de pelo menos uma das síndromes, sintomas ou sinais de um grupo de maior hierarquia, ou pelo menos dois dos sinais e sintomas de um grupo de menor hierarquia (1).  

Tais sintomas devem estar presentes na maior parte do tempo de um episódio de doença psicótica que dure pelo menos 1 mês (ou por algum tempo durante a maioria dos dias) e devem ter sido excluídos diagnósticos de transtornos de humor, transtornos atribuíveis à doença cerebral orgânica, intoxicação, dependência ou abstinência relacionada a álcool ou outras drogas (1).  

A identificação da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado ao atendimento especializado pode ocasionar um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos (1).   

 

Prevenção 

Não existe prevenção contra a doença, mas o controle de fatores ambientais estressores pode ajudar a controlar os sintomas (3). 

 

Tratamento 

Na escolha do tratamento devem ser considerados os fármacos já utilizados, o estágio da doença, a história de resposta e adesão e o risco-benefício (1).  

Aproximadamente 30% dos casos apresentam recuperação completa ou quase completa, cerca de 30% com remissão incompleta e prejuízo parcial de funcionamento e cerca de 30% com deterioração importante e persistente da capacidade de funcionamento profissional, social e afetivo (1).  

O médico fará o diagnóstico correto e saberá indicar o melhor tratamento.  

 

Fontes: 
1 – Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Esquizofrenia. 2013. Disponível em http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2014/abril/02/pcdt-esquizofrenia-livro-2013.pdf  
2- Organização Pan-Americana da Saúde. Folha informativa – Transtornos mentais. 2018. Disponível em https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5652:folha-informativa-transtornos-mentais&Itemid=839  
3- SILVA, Regina Cláudia Barbosa da. Esquizofrenia: uma revisão. 2006. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642006000400014