A atividade física tem sido enaltecida e propagada há séculos como um potente fator de promoção à saúde¹. Afilósofo grego Sócrates, por exemplo, credita-se a seguinte afirmação: “Na música, a simplicidade torna a alma sábia; na ginástica, dá saúde ao corpo¹”.  

 

Com o avanço da tecnologia, os indivíduos passaram a adotar modos de vida mais sedentários, tornando-se mais inativos fisicamente². Estudos epidemiológicos demonstram expressiva associação entre estilo de vida ativo, menor possibilidade de morte e melhor qualidade de vida². 

 

 A atividade física e o exercício previnem efetivamente a ocorrência de eventos cardíacos, reduzem a incidência de acidente vascular cerebral, hipertensão, diabetes do tipo 2, cânceres de cólon e mama, fraturas osteoporóticas, doença vesicular, obesidade, depressão e ansiedade, além de retardarem a mortalidade². Por definição, atividade física é qualquer movimento corporalmente produzido pela musculatura esquelética que resulte em gasto energético².  

 

Indubitavelmente, a inatividade física é um dos grandes problemas de saúde pública na sociedade moderna, sobretudo quando considerado que cerca de 70% da população adulta não atinge os níveis mínimos recomendados de atividade física¹.  

 

Estudos epidemiológicos demonstram que a inatividade física aumenta substancialmente a incidência relativa de doença arterial coronariana (45%), infarto agudo do miocárdio (60%), hipertensão arterial (30%), câncer de cólon (41%), câncer de mama (31%), diabetes do tipo II (50%) e osteoporose (59%)¹. As evidências também indicam que a inatividade física é independentemente associada à mortalidade, obesidade, maior incidência de queda e debilidade física em idosos, dislipidemia, depressão, demência, ansiedade e alterações do humor¹. 

 

A prática de atividade física é importante para o alcance ou a manutenção do peso ideal ². Além disso, os benefícios da atividade física para a saúde têm sido amplamente documentados². Esses benefícios incluem ²:  

 

  • Redução no risco de morte por doenças cardiovasculares;  
  • Redução no risco de desenvolver diabetes, hipertensão e câncer de cólon e mama;
  • Melhoria do perfil lipídico;
  • Melhoria do nível de saúde mental;
  • Ossos e articulação mais saudáveis;
  • Aumenta a força muscular;
  • Melhor funcionamento corporal e preservação da independência de idosos;
  • Correlações favoráveis com redução do tabagismo e abuso de álcool e drogas;
  • Aumenta o bem-estar e a autoestima. 

 

No que tange à prática de atividade física, recomenda-se que indivíduos de todas as idades devem incluir um mínimo de 30 minutos de atividade física de intensidade moderada (como caminhada) na maioria ou em todos os dias da semana². O aumento da atividade física deve ser gradual, 10 minutos 3x/ semana até 30-60 minutos 3x/semana ou diariamente².  

 

Os programas de orientação aos indivíduos devem adotar uma linguagem clara e objetiva a fim de que incorporem a prática de atividades físicas no seu cotidiano como caminhar, subir escadas, realizar atividades domésticas dentro e fora de casa, optar sempre que possível pelo transporte ativo nas funções diárias². Quanto às crianças e adolescentes em idade escolar, recomenda-se que devam estar envolvidas em atividades físicas de intensidade moderada, apropriadas ao estágio de crescimento e desenvolvimento². É importante estimular a prática de atividades físicas na escola e fora do horário escolar, assim como desestimular o hábito frequente de assistir TV, videogame e uso computadores como forma de lazer². As crianças e adolescentes com sobrepeso devem ser estimuladas a se integrar aos grupos de prática de atividade física a fim de fortalecer vínculos sociais e afetivos². 

 

A abordagem relacionada à adoção de uma alimentação saudável e à prática de atividade física torna-se imprescindível, tendo em vista que as evidências científicas demonstram que fatores ligados à alimentação e à inatividade física estão envolvidos com o desenvolvimento de diversas doenças². O consumo elevado de gorduras saturadas e colesterol dietético aumenta o risco de doença coronariana, isquemia e outras doenças cardiovasculares². O alto consumo de gorduras totais e saturadas também está associado ao aumento no risco de alguns tipos de câncer, como os de intestino, reto, mama, endométrio e próstata². 

 

Vários estudos mostram que indivíduos que passam de um estilo de vida sedentário para um comportamento fisicamente ativo, ou que deixam de ser fisicamente inaptos para serem fisicamente aptos, experimentam taxas mais baixas de doença e mortalidade prematura, em comparação com aqueles que continuam sendo sedentários ou inaptos². A recomendação de prática de atividade física deve considerar os interesses individuais, as necessidades de saúde e estado clínico do indivíduo ou da população-alvo² 

 

Fontes: 
1 – Sedentarismo, exercício físico e doenças crônicas – Scielo. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-55092011000500005 Último acesso no dia 06 de dezembro de 2019. 
2 – Manual técnico para promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças na saúde suplementar – Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. Disponível em  http://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Materiais_por_assunto/manual_promoprev_web.pdf. Último acesso no dia 06 de dezembro de 2019.