O hipogonadismo masculino é uma síndrome clínica causada por deficiência androgênica (diminuição da concentração de androgênios no homem). Pode afetar negativamente as funções de múltiplos órgãos e a qualidade de vida. Os androgênios desenvolvem um papel crucial no desenvolvimento e na manutenção das funções reprodutivas e sexuais do homem¹ 

 

Baixos níveis de androgênios circulantes podem causar distúrbios no desenvolvimento sexual masculino, resultando em anormalidades congênitas do trato reprodutivo¹. Com o avançar da idade, pode causar redução da fertilidade, disfunção sexual, declínio da força muscular, menor mineralização óssea, distúrbio do metabolismo lipídico e disfunção cognitiva¹.  

 

Existem vários nomes na literatura para se definir a diminuição da testosterona. O termo “andropausa” não é correto porque – ao contrário das mulheres na menopausa, que param de produzir os estrogênios – os homens não param de produzir o hormônio testosterona. O que pode ocorrer é uma diminuição de sua produção – em geral em torno de 12% a cada década de vida, a partir dos 40-50 anos². 

 

O termo mais utilizado no Brasil é DAEM: Distúrbios Androgênicos do Envelhecimento Masculino, que é o conjunto de sinais e sintomas decorrentes da diminuição da concentração de hormônios que pode ocorrer no homem idoso². 

 

Os níveis de testosterona decrescem como um processo do envelhecimento: sinais e sintomas causados por este declínio podem ser considerados normais como parte deste processo. Entretanto, baixos níveis de testosterona também se associam a doenças crônicas severas e pacientes sintomáticos podem se beneficiar com a terapia de reposição de testosterona¹. 

 

O hipogonadismo masculino pode ser classificado em 4 formas¹ 

 

  1. Formas primárias, causadas por insuficiência testicular; 
  1. Formas secundárias, causadas por disfunções hipotalâmicas-hipofisárias;  
  1. Hipogonadismo de início tardio;  
  1. Hipogonadismo devido à insensibilidade dos receptores androgênicos. 

 

Sintomas³ 

Os principais sinais e sintomas envolvidos são:  

  • Diminuição da libido e disfunção erétil;  
  • Depressão – o hipogonadismo, em homens de meia idade, parece estar associado com sintomas depressivos;  
  • Diminuição do tecido muscular, aumento de tecido fibroso muscular e diminuição de alguns aspectos da força muscular;  
  • Aumento do tecido adiposo total e redistribuição de gordura – vários autores reportaram uma correlação inversa com níveis séricos de testosterona, sugerindo que a queda de níveis de testosterona teria um papel causal no acúmulo de gordura visceral ligada ao envelhecimento masculino;  
  • Osteopenia e osteoporose – diminuição da densidade mineral óssea;  
  • Diminuição do volume testicular. 

 

Diagnóstico 

O diagnóstico deve ser sempre clínico e laboratorial. Ou seja, o homem tem que ter sintomas – alguns dos citados anteriormente – junto com uma dosagem de testosterona baixa no sangue. Recomenda-se a dosagem de testosterona total e, se ela estiver baixa, deve-se repeti-la, pedindo também a dosagem da testosterona livre calculada, LH e prolactina (no caso de diminuição da libido)². 

 

É recomendável fazer o diagnóstico somente em homens com alguns dos principais sinais e sintomas envolvidos: diminuição da libido, disfunção erétil, depressão, diminuição do tecido e força muscular, aumento do tecido adiposo total e redistribuição de gordura, diminuição da densidade mineral óssea, diminuição do volume testicular³. 

 

Tratamento² 

A terapia de reposição da testosterona hoje é considerada bastante eficaz e segura quando bem indicada (homem com sintomas e testosterona baixa no sangue). No entanto, o controle regular com o urologista é mandatório. Não existe idade limite para se iniciar o tratamento com reposição de testosterona². 

 

Não se deve dar testosterona a homens com níveis normais de testosterona no sangue assim como está contraindicado seu uso para aumentar massa muscular em academias de ginástica². 

 

Fontes: 
1 – Diretrizes para o hipogonadismo masculino – Portal da Urologia. Disponível em http://portaldaurologia.org.br/medicos/wp-content/uploads/2017/06/208.pdf Último acesso no dia 13 de novembro de 2019. 
2 – Hipogonadismo masculino: como identificar e tratar? – Portal da Urologia. Disponível em https://portaldaurologia.org.br/dicas/hipogonadismo-masculino-como-identificar-e-tratar/. Último acesso no dia 13 de novembro de 2019. 
3 – Hipogonadismo Masculino Tardio ou DAEM: Diagnóstico – Portal da Urologia. Disponível em http://portaldaurologia.org.br/medicos/wp-content/uploads/2015/09/Hipogonadismo-Masculino-Tardio-ou-DAEM-Diagn%C3%B3stico-2017.pdfÚltimo acesso no dia 13 de novembro de 2019.