Em 2016, a região das Américas foi declarada por um Comitê Internacional de Especialistas como livre do sarampo. A eliminação dessa doença – e da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, em 2015 – foi o ponto culminante de um esforço de 22 anos que incluiu a vacinação em massa contra o sarampo, a caxumba e a rubéola em todo o continente. No entanto, como o vírus do sarampo é altamente contagioso e permanece em circulação no resto do mundo, assim como o vírus da rubéola, a região corre o risco de novos surtos dessas doenças¹.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que as infecções por sarampo tenham dobrado no mundo, em meio a severos e prolongados surtos em países pobres e ricos. O vírus pode ser transmitido facilmente através de espirros e tosses, além de sobreviver horas em uma gota d’água. Além de ser possivelmente fatal, sintomas do sarampo incluem erupções cutâneas, cegueira e inflamação do cérebro. Para cada pessoa infectada, até nove ou dez podem pegar o vírus. Em 2018, as Américas registraram quase 17 mil casos de sarampo².

O sarampo pode ser evitado por uma vacina segura e eficaz. No entanto, as taxas de vacinação no mundo estagnaram por quase uma década. A OMS e o UNICEF estimam que 86% das crianças no mundo receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo por meio dos serviços de vacinação de rotina de seus países, em 2018, e menos de 70% receberam a segunda dose recomendada³.

 

O sarampo

O sarampo é causado por um vírus, da família paramyxorividae, e é normalmente transmitido por meio de contato direto e pelo ar. Ele infecta o trato respiratório e se espalha por todo o corpo¹.

O primeiro sinal geralmente é a febre alta, que começa entre 10 e 12 dias após a exposição ao vírus. Na fase inicial, o paciente pode apresentar secreções no nariz, tosse, olhos vermelhos e aquosos. Pequenas manchas brancas dentro das bochechas também podem se desenvolver no estágio inicial. Após vários dias, surge o exantema (erupção cutânea), geralmente no rosto e na parte superior do pescoço. Durante aproximadamente três dias, essas erupções na pele se espalham, atingindo eventualmente as mãos e os pés, desaparecendo em seguida. O intervalo entre a exposição ao vírus e a aparição das erupções cutâneas oscila entre 7 e 18 dias¹.

A maioria das mortes por sarampo ocorrem por complicações associadas à doença, sendo as mais graves a cegueira, encefalite (infecção acompanhada de edema cerebral), diarreia grave (que pode provocar desidratação), infecções no ouvido ou infecções respiratórias graves, como pneumonia. Os casos graves são especialmente mais frequentes entre crianças pequenas com má nutrição e, sobretudo, entre pessoas com deficiência de vitamina A ou cujo sistema imunológico esteja enfraquecido pelo HIV/aids ou outras doenças¹.

Não existe tratamento antiviral específico contra o vírus do sarampo, mas as complicações graves podem ser evitadas com um tratamento de apoio que garanta uma boa nutrição, a ingestão suficiente de líquidos e o tratamento da desidratação com soluções de reidratação orais recomendada pela OMS (para repor os líquidos e outros elementos essenciais que se perdem por meio de diarreia e vômitos). Antibióticos devem ser prescritos para tratar infecções nos olhos e ouvidos, bem como pneumonia¹.

Todas as crianças com diagnóstico de sarampo devem receber duas doses de suplementos de vitamina A, com intervalo de 24 horas. Esse tratamento restaura os baixos níveis dessa vitamina que, durante a doença, ocorrem mesmo nas que estão bem nutridas e pode ajudar a prevenir danos oculares e cegueira. Os suplementos de vitamina A demonstraram reduzir em 50% o número de mortes por sarampo¹.

A vacinação de rotina contra o sarampo em crianças, combinada com campanhas de imunização em massa em países com altas taxas de casos e mortes, são estratégias-chave de saúde pública para reduzir as mortes pela doença em todo o mundo. A vacina contra o sarampo está em uso há mais de 50 anos e é segura, eficaz e acessível economicamente. É frequentemente incorporada com vacinas contra a rubéola e/ou caxumba e igualmente eficaz na forma única ou combinada¹.

 

 

Fontes:
1- Folha informativa – Sarampo – Organização Pan Americana da Saúde. Disponível em https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5633:folha-informativa-sarampo&Itemid=1060. Último acesso em 26 de maio de 2020.
2- OMS estima que casos de sarampo tenham dobrado no mundo em um ano – Ministério da Saúde. Disponível em http://www.blog.saude.gov.br/index.php/53761-oms-estima-que-casos-de-sarampo-tenham-dobrado-no-mundo-em-um-ano. Último acesso em 26 de maio de 2020.
3- Mais de 140 mil morrem de sarampo no mundo à medida que casos aumentam – Organização Pan Americana da Saúde. Disponível em https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6077:mais-de-140-000-morrem-de-sarampo-a-medida-que-os-casos-aumentam-em-todo-o-mundo&Itemid=820. Último acesso em 26 de maio de 2020.