O sono é definido como uma suspensão temporária das atividades guiadas pelo ciclo circadiano (relação entre tempo acordado e tempo dormindo, ditada pelo sistema nervoso central) e pelo relógio biológico (determinado pela nossa produção de hormônios)¹. O sono é fundamental para consolidação da memória, visão, conservação e restauração de energia, e restauração do metabolismo energético cerebral. Os distúrbios do sono podem afetar o trabalho, a cognição e os relacionamentos com diferentes desdobramentos a curto, médio e longo prazos¹.

A insônia é responsável por cerca de 80% dos casos de distúrbio do sono¹. Pode ser um sintoma de alguma doença, estar relacionada a emoções, sentimentos e pensamentos, ou ser um transtorno primário¹. Alterações no ritmo do ciclo circadiano e no relógio biológico são esperadas no processo de envelhecimento, acarretando alterações no padrão de sono². Se as mulheres já são mais afetadas pela insônia que os homens, na menopausa essa taxa é ainda maior³.

O que é menopausa?

A menopausa é definida como o final do período reprodutivo da mulher, em que não há mais ovulação e, assim, menstruação. Inicialmente há sintomas como irregularidade menstrual, calores noturnos, alterações de humor – período definido como climatério. Após 1 ano sem sangramento, a denominação deste período muda para menopausa (independente da continuação ou não dos sintomas)4. Essa falência ovariana provoca alterações nos níveis de hormônios (estrogênios, progesterona e testosterona, por exemplo), e isso causa as mudanças que podem comprometer a qualidade de vida e a saúde das mulheres nessa faixa etária4.

Relação insônia e menopausa

Como já mencionado, cada mulher vivencia sua menopausa de maneira única4. É possível que ocorram sintomas como ansiedade, depressão, fadiga, diminuição da libido e insônia4.

Apesar de a insônia ser um dos sintomas mais frequentemente associados à menopausa, é difícil determinar se as alterações no sono iniciadas na meia-idade são devidas ao envelhecimento ou ao estado de menopausa5. Embora a insônia seja característica nesse período da vida, ela é frequentemente negligenciada pelos médicos e pelas mulheres que não a reconhecem como um problema de saúde, apesar da deterioração da qualidade do sono5.

Alguns estudos relatam que a insônia na menopausa está mais fortemente associada às ondas de calor6. Outros demonstram que a insônia também pode estar associada a sintomas psicológicos, o que refletiria a sua associação com depressão e altos níveis de estresse5.

Na atenção à saúde informações detalhadas sobre as variadas facetas dessa nova etapa da vida precisam ser oferecidas, encorajando a mulher a vivê-la com mais energia, coragem e a aprender os limites e oportunidades do processo de envelhecimento, abrangendo as transformações que ocorrem durante esse período4.

Medidas comportamentais de higiene do sono (evitar aparelhos eletrônicos antes de dormir), boa alimentação, prática de atividade física e meditação são eficazes para muitos casos de insônia2,3. Para outros, são necessários medicamentos e, por isso, as mulheres devem compartilhar com seus médicos os sintomas de dificuldade para dormir a fim de preservar a sua qualidade de vida2,3.

 

Fontes:
1 – TESSARO, Mariane; NAVARRO-PETERNELLA, Fabiana Magalhães. Sleeping effects in the quality of life of women with insomnia.Fisioter. mov., Curitiba , v. 28, n. 4, p. 693-700, Dec. 2015. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/fm/v28n4/1980-5918-fm-28-04-00693.pdf. Último acesso no dia 12 de março de 2019.
2- ALMONDES, Katie Moraes de; LEONARDO, Maria Emanuela Matos; MOREIRA, Ana Maria Souza. Effects of a cognitive training program and sleep hygiene for executive functions and sleep quality in healthy elderly.Dement. neuropsychol., São Paulo , v. 11, n. 1, p. 69-78, Mar. 2017. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1980-57642017000100069&script=sci_abstract. Último acesso no dia 12 de março de 2019.
3 – Ref.: SOARES, Claudio N.. Insônia na menopausa e perimenopausa: características clínicas e opções terapêuticas.Rev. psiquiatr. clín., São Paulo , v. 33, n. 2, p. 103-109,  2006. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-60832006000200010&script=sci_abstract&tlng=pt. Último acesso no dia 12 de março de 2019.
4 – Caio Fábio Schelchta Portella. Qualidade de vida e inônia na perimenopausa. Meditação como estratégia de prevenção. Dissertação apresentada na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. 2014 Disponível em https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6136/tde-09042014-104755/publico/CaioPortella.pdf. Último acesso no dia 12 de março de 2019.
5- Fatores psicossociais e socioeconômicos relacionados à insônia e menopausa: Estudo Pró-Saúde. Caderno Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2015Disponível em https://pdfs.semanticscholar.org/8486/455172b8a7e75bd31ff7cd36d09bad8893d9.pdf. Último acesso no dia 12 de março de 2019.
6- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual de Atenção à Mulher no Climatério/Menopausa / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2008. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atencao_mulher_climaterio_menopausa.pdf. Último acesso no dia 12 de março de 2019.