A lactose é o principal carboidrato do leite de origem animal, que também está presente em outros derivados lácteos (1). A intolerância à lactose, por sua vez, é caracterizada pela diminuição dos níveis da lactase no intestino (2), enzima responsável pela absorção deste carboidrato no organismo (2).

 

Mas, afinal, como acontece o processo de absorção da lactose?

Quando ingerida, a substância é quebrada em dois açúcares: a galactose e a glicose (3). Eles são absorvidos pelo intestino delgado, enviados para a corrente sanguínea e utilizados como energia para o organismo (3).

Quando ela não é devidamente digerida, vai direto para o intestino grosso (cólon), que metaboliza a substância em gases, que são responsáveis pelos sintomas da intolerância à lactose (3).

A enzima lactase, quando funciona corretamente, é produzida pelas bordas do intestino delgado, e é responsável pela “quebra” da ligação entre glicose e galactose, que quando estão separados, podem ser absorvidos normalmente pelo organismo (1).

 

Quais são os tipos de intolerância à lactose?

Existem três classificações (3):

  • Hipolactasia do “tipo adulto”: ocorre em grande parte da população adulta mundial. No Brasil cerca de 40% das pessoas são classificadas por este tipo, que é desenvolvido após os 3 anos de idade, e normalmente tem origem genética ou ocorre em pessoas com predisposição. Apenas 2% apresenta sintomas graves de intolerância à lactose.
  • Intolerância congênita à lactose: é bastante rara, manifesta-se logo após o nascimento e até impede o aleitamento exclusivo materno. O paciente precisa ser alimentado com fórmulas sem lactose. É uma doença congênita muito rara.
  • Intolerância secundária à lactose: é uma doença adquirida por conta de lesões no intestino delgado, com a deficiência temporária da produção de lactase, que em alguns períodos retorna aos valores normais, caso os fatores desencadeantes sejam controlados. Nessa forma existe a diarreia causada por gastroenterite viral, giardíase, alergia ao leite bovino, doença celíaca e doença de Crohn. Pode ocorrer, também, em bebês prematuros que não produzem quantidade suficiente de lactase.

 

Principais sintomas da deficiência

Como existem diferentes níveis e tipos da doença, cada paciente reage de forma diferente ao ter contato com a lactose. No entanto, existem sinais comuns, e eles são (4):

  • Náusea;
  • Dores abdominais;
  • Diarreia ácida e abundante;
  • Gases;
  • Desconforto.

Além das diferenças entre níveis e tipos, também é necessário levar em consideração a quantidade de lactose ingerida em casa caso (4). Os sintomas podem levar minutos ou até horas para aparecer (4).

 

Quais são as causas da intolerância à lactose?

Levando em consideração os diferentes tipos de intolerância, é possível observar prováveis causas que podem acarretar o problema. São elas (4):

  • Deficiência congênita da enzima: presença de alteração genética que impossibilita a produção da lactase;
  • Diminuição da produção da enzima lactase por conta de doenças intestinais, ou ainda, causada pelo envelhecimento – mais comum em raças negras (até 80% dos adultos negros têm esse problema) e menos comum em brancas (que representa 20% das pessoas com a deficiência).

 

Regiões mais afetadas pela intolerância à lactose

Um estudo analisou a prevalência mundial da intolerância à lactose, e os resultados mostraram que (1):

  • As taxas estão acima de 50% em países da América do Sul e África;
  • Em alguns países asiáticos a intolerância pode atingir até 100% da população;
  • Nos Estados Unidos, a prevalência é de 15% entre os brancos, 53% nos mexicanos e 80% na população negra;
  • Na Europa, varia entre 2% na Escandinávia e 70% na Sicília;
  • Na Austrália representa 6% da população;
  • Na Nova Zelândia os índices são de 9% das pessoas.

 

Como é possível diagnosticá-la?

Quem tem os sintomas de intolerância à lactose pode consultar um médico para a realização dos exames laboratoriais (2). Entre eles (2):

  • Teste da curva glicêmica;
  • Teste do H2 no ar expirado – considerado o mais importante para a identificação.

No entanto, existem exames complementares que também podem auxiliar o diagnóstico: a medida de pH e substâncias nas fezes. Também é possível realizar o teste terapêutico de retirada de lactose da dieta e observação entre duas ou três semanas (2).

 

Todos os alimentos derivados do leite animal têm lactose?

Sim, todos os alimentos que possuem leite de origem animal em sua formulação contam com a lactose (2). Confira a porcentagem de alguns produtos (a cada grama) (2):

  • Leite de vaca – 3,5 e 4,5
  • Queijo Prato – 0,03
  • Queijo Muçarela – 0,13
  • Queijo Gouda – 0,07
  • Queijo Estepe – 0,09
  • Requeijão – 1,63
  • Queijo Frescal – 1,92
  • Iogurtes (brasileiros) – 3,81
  • Coalhada (brasileira) – 3,99

Além disso, é necessário prestar atenção em alimentos como (4):

  • Manteiga e margarina;
  • Doces como bolos, cremes e pudins;
  • Bolachas e biscoitos com leite em sua formulação.

 

Existe tratamento para a intolerância à lactose?

Como existem tipos diferentes da deficiência, para cada caso é indicado um tipo de tratamento, mas somente um médico poderá avaliar a melhor forma para cada um (2). Eis os mais comuns:

  • Intolerância secundária: a lactose deve ser retirada por cerca de 4 semanas, para que a mucosa se recupere durante o período. Caso o paciente tenha também a doença celíaca, é necessário que a restrição seja mais longa;
  • Hipolactasia do adulto: a maioria das pessoas tolera entre 12 a 15g de lactose diariamente (o que representa cerca de 300ml de leite). Neste caso, a restrição completa do leite pode levar à osteoponia e osteoporose (doenças de enfraquecimento dos ossos), uma vez que a pessoa ingere quantidade pouco significativa de cálcio em sua dieta.

Outra opção, a depender do caso, é a utilização de medicamentos que agem como enzimas para quebrar a lactase (2).

 

Dicas

  • Teste a quantidade de leite tolerável no seu organismo;
  • Associe alimentos ao leite (como pães e cereais), pois podem minimizar os sintomas da intolerância por conta da redução da velocidade do esvaziamento gástrico;
  • Existem produtos no mercado com redução de lactose;
  • Estimule a prática de ingestão de queijos, dependendo do nível e tipo da intolerância;
  • O consumo de alguns produtos como coalhadas e iogurtes também pode ser testado, com exceção da intolerância total ao leite.

 

Fontes:

1- Aditivos & Ingredientes. Intolerância à Lactose e produtos lácteos com baixo teor de lactose. Disponível em http://insumos.com.br/aditivos_e_ingredientes/materias/143.pdf
2- Sociedade de Pediatria de São Paulo – Departamento de Emergências – Departamento de Gastroenterologia. Intolerância à Lactose. Disponível em http://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec_61_Gastro.pdf
3- Sociedade Brasileira de Pediatria. Intolerância à Lactose. 2017. Disponivel em http://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/noticias/nid/intolerancia-a-lactose/
4- Ministério da Saúde – Biblioteca Virtual em Saúde. Intolerância à lactose. 2016. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2199-intolerancia-a-lactose