Cerca de dois terços das crianças receberão mamadeiras e chupetas em algum momento do seu primeiro ano de vida¹. O uso desses utensílios pode afetar o processo de amamentação e produzir alterações na saúde da criança, causando interrupção do aleitamento materno¹ 

 

Na história da humanidade, os bicos artificiais assumiram diferentes funções e representações socioculturais¹. Estudos sobre as características dos usuários de chupeta apontam uso mais frequente entre os primogênitos meninos, bebês de baixo peso ao nascer, menores de 6 meses, não amamentados na maternidade e aqueles amamentados em horários preestabelecidos¹ 

 

Argumentos contra o uso de chupeta e mamadeira² 

As principais evidências encontradas sobre o efeito negativo do uso de chupeta e mamadeira foram sistematizadas e agrupadas segundo as consequências em cada aspecto da saúde da criança, apresentadas a seguir:  

 

 – Funções orais e amamentação – Pode prejudicar a correta maturação funcional do sistema estomatognático, alterando a postura e a tonicidade dos músculos, e podem causar deformações esqueléticas na boca e na face; 

  

 – Dentição – Os dentes sofrem pressões de forças provenientes da musculatura da face e da língua durante as funções realizadas pelo sistema estomatognático. Essas forças musculares, quando adequadas, promovem ação modeladora; entretanto, em condições inadequadas, podem conduzir a alterações anatômico-funcionais indesejáveis. A persistência do hábito após os 3 anos da criança aumenta significativamente a probabilidade de o indivíduo apresentar características oclusais indesejáveis. As alterações mais frequentemente encontradas entre crianças usuárias de chupetas e mamadeira são mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior; 

  

 – Otite média aguda – a otite média é caracterizada pela presença de líquido no ouvido médio. Na sucção da chupeta e da mamadeira, não é exigido o mesmo nível de organização e pressão negativa que na sucção da mama, não existindo o constante estímulo do músculo responsável pela abertura da tuba auditiva e que tem um importante papel na prevenção das otites médias. Estudos apontam uma ocorrência 33% maior de otite média nas crianças menores de 18 meses que utilizam chupeta e mamadeira; 

   

 – Segurança química, física e imunológica – as chupetas e mamadeiras são consideradas potenciais reservatórios de infecção, podendo afetar o sistema imunológico da criança. O uso está associado com maior incidência da doença diarreica e mortalidade infanti e com o aumento da probabilidade de hospitalização e de eventos de respiração ruidosa, asma, dor de ouvido, vômitos, febre, diarreia, cólicas, aftas e candidíase oral 

 

 – Níveis de inteligência – o único estudo até o momento que avaliou a influência do hábito de utilizar chupeta ou mamadeira no desempenho em testes de inteligência na vida adulta constatou que os indivíduos que usavam chupeta e mamadeira na infância apresentaram desempenho 16% menor do que os que não tinham esse hábito. A possível explicação para essa associação está ligada ao ambiente social em que a criança se desenvolve, A criança que utiliza chupeta e mamadeira provavelmente solicita menos atenção dos pais/cuidadores e, como consequência, é menos estimulada; 

  

 – Vícios orais na vida adulta – hábitos orais não-nutritivos podem ser substituídos ao longo da vida por comportamentos prejudiciais tais como fumar, comer excessivamente ou outros transtornos compulsivos. Estudo recente constatou que o uso prolongado (mais de 24 meses) de chupeta e mamadeira na infância pode favorecer o início do uso do cigarro na adolescência 

 

Aleitamento materno³ 

O leite materno é o alimento ideal para o bebê recém-nascido e é recomendado como o único alimento nos seis primeiros meses de vida, com introdução de alimentos complementares e continuação da amamentação a partir de então e até os dois anos de idade ou mais. Para a sobrevivência do bebê é importantíssimo que o leite materno não seja substituído, pois atende todas as necessidades nutricionais, imunológicas e psicológicas.Para o bebê e a criança, os argumentos em favor do aleitamento materno são:  

 

  • Prevenção de mortes infantis; 
  • Prevenção de diarreia; 
  • Prevenção de infecção respiratória; 
  • Diminui o risco de alergias;
  • Diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes;
  • Reduz a chance de obesidade;
  • Melhor nutrição;
  • Melhor desenvolvimento da cavidade bucal. 

 

Fontes: 
1 – Determinantes do uso de chupeta e mamadeira – Scielo/ Revista Saúde Pública – Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rsp/v48n4/pt_0034-8910-rsp-48-4-0571.pdf. Último acesso no dia 6 de agosto de 2019. 
2  Uso de chupeta em crianças amamentadas: prós e contras – Sociedade Brasileira de Pediatria – Disponível em https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Aleitamento-_Chupeta_em_Criancas_Amamentadas.pdfÚltimo acesso no dia 6 de agosto de 2019. 
3 - A IMPORTÂNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO ATÉ OS SEIS MESES DE IDADE – Uniedu – Santa Catarina. Disponível em http://www.uniedu.sed.sc.gov.br/wp-content/uploads/2016/10/SANDRA-BEZUTTI.pdf. Último acesso no dia 17 de julho de 2019.