Você sabe o que é Diabetes? É uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia), que pode ocorrer devido aos defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina (1). A função principal da insulina é a de promover a entrada de glicose para as células do organismo para o aproveitamento de outras células, e sua falta ou defeito resulta no acúmulo de glicose no sangue – chamado “hiperglicemia” (1).

Entre 2006 e 2016, o número de brasileiros com diabetes aumentou 61,8% – a doença antes atingia 5,5% da população, e agora chegou a 8,9%. Entre as mulheres, o índice é de 9,9% e nos homens, 7,8% (2). A tendência é observada no mundo todo, influenciada por fatores como o envelhecimento da população, mudanças de hábitos alimentares e exercícios físicos (2).

Elas podem ser divididas em dois grupos: Diabetes Tipo 1 e Diabetes Tipo 2 (1). Confira algumas características de cada uma delas (1):

 

Diabetes Tipo 1

Resultado da destruição das células beta pancreáticas por um processo imunológico, ou seja, pela formação de anticorpos pelo próprio organismo contra as células, o que faz o beta levar à deficiência da insulina. É possível detectar a presença desses anticorpos em exames de sangue, e estão presentes em cerca de 85% dos casos desse tipo de diabetes. Normalmente acomete crianças e jovens adultos, mas pode ser desencadeado em qualquer faixa etária.

O quadro clínico mais característico é de um início relativamente rápido (alguns dias até poucos meses) de sintomas como:

  • Sede;
  • Diurese;
  • Fome excessiva;
  • Emagrecimento importante;
  • Cansaço;
  • Fraqueza.

Se o tratamento não for realizado rapidamente, os sintomas podem evoluir para desidratação severa, sonolência, vômitos, dificuldades respiratórias e coma – quadro mais grave que necessita de internação.

 

Diabetes Tipo 2

Normalmente é a forma mais comum da doença: acomete cerca de 90% dos pacientes. Nela, a insulina é produzida pelas células beta pancreáticas, porém, sua ação está dificultada, o que caracteriza em um quadro de resistência insulínica. Isso leva ao aumento de produção de insulina para manter os níveis de glicose normais, mas quando isso não é possível, surge a diabetes.

A instalação do quadro clínico é mais lenta, e os sintomas podem demorar vários anos para aparecer. Entre eles:

  • Sede;
  • Diurese;
  • Dores nas pernas;
  • Alterações visuais.

Normalmente está associada com o aumento de peso e obesidade, principalmente em adultos a partir dos 50 anos. No entanto, observa-se um aumento de desenvolvimento em crianças e jovens adultos. Isso normalmente acontece por conta do aumento do consumo de gorduras e carboidratos, aliados à falta de atividade física.

 

Outros tipos de Diabetes

Eles são mais raros e incluem defeitos genéticos da função da célula beta, defeitos genéticos na ação da insulina, doenças no pâncreas (pancreatite, tumores pancreáticos, hemocromatose), outras doenças endócrinas (Síndrome de Cushing, hipertireoidismo, acromegalia) e uso de certos medicamentos.

 

Diabetes Gestacional

Pode ser transitório ou não, e, no término da gravidez, a paciente deve ser investigada e acompanhada. Na maioria das vezes é detectado no 3º trimestre da gestação, com teste de sobrecarga da glicose. Aquelas que tiverem história prévia de diabetes gestacional, de perdas fetais, más formações fetais, hipertensão arterial, obesidade ou histórico familiar de diabetes, não devem esperar o 3º trimestre para o teste, já que a chance de desenvolvimento é maior.

Existem alguns fatores de risco que podem ajudar a acarretar a doença. Alguns deles (3):

 

Fatores de risco para Diabetes Tipo 1:

Influência genética.

 

Fatores de risco para Diabetes Tipo 2:

  • Diagnóstico de pré-diabetes: diminuição da tolerância à glicose ou glicose de jejum alterada;
  • Pressão alta;
  • Colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue;
  • Estar acima do peso, principalmente se a gordura estiver concentrada na região da cintura;
  • Ter pai ou irmão com Diabetes;
  • Condição de saúde associada ao Diabetes, como a doença renal crônica;
  • Teve bebê com peso superior a 4kg ou teve Diabetes Gestacional;
  • Possui Síndrome de Ovários Policísticos;
  • Problemas psiquiátricos como esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar;
  • Apneia do sono;
  • Ingestão de medicamentos da classe dos glicocorticoides.

Confira algumas curiosidades sobre Diabetes (4):

  • Durante o tratamento, o ideal é que a glicose fique entre 70 e 100mg/dL;
  • Níveis de a partir de 100mg/dL em jejum ou 140mg/dL duas horas após as refeições é considerado hiperglicemia;
  • Níveis abaixo de 70mg/dL é considerado hipoglicemia, que pode causar problemas indesejáveis com complicações que merecem atenção;
  • Insulina e medicação oral podem ser usadas para o tratamento do diabetes. A insulina sempre é usada contra Diabetes Tipo 1, mas também pode ser usada em Diabates Tipo 2 (quando o pâncreas começa a não produzir mais insulina em quantidade suficiente). A medicação oral é usada no tratamento de Diabetes Tipo 2, e, dependendo do princípio ativo, pode diminuir à resistência à insulina ou estimular o pâncreas a produzir mais esse hormônio;
  • A prática de exercícios pode ajudar a controlar a glicemia e a perder gordura corporal, além de aliviar o estresse. Pessoas com diabetes devem praticar com regularidade, sob orientação médica e de um profissional de educação física;
  • A contagem de carboidratos pode ser muito boa para quem tem diabetes. Eles têm efeito direto nos níveis de glicose, e isso permite mais flexibilidade na alimentação. Isso deve ser feito sob supervisão de um nutricionista;
  • A tecnologia é parceria no tratamento: glicosímetros podem medir a glicose no sangue, e bombas de infusão de insulina e sensores podem monitorar a glicose;
  • Caso não tratado de forma correta, pode acarretar em complicações como: retinopatia, nefropatia, neuropatia, pé diabético, infarto do miocárdio, AVC, entre outros. Caso o paciente já esteja com diagnóstico de complicação crônica, existem tratamentos para ajudar a manter uma vida normal;
  • O paciente precisa ter auxílio de pacientes, familiares e pessoas próximas para ter o suporte necessário durante o tratamento e tomar decisões com base em conhecimento;
  • Muitos casos de Diabetes Tipo 2 podem ser evitados com hábitos saudáveis como boa alimentação e prática regular de exercícios físicos;
  • A genética influencia o desenvolvimento de Diabetes Tipo 2, enquanto o Tipo 1 o fator hereditário é pouco frequente;
  • Ainda se estudam os fatores desencadeantes do Diabetes Tipo 1, mas acredita-se que infecções virais podem ser responsáveis por seu desenvolvimento;
  • Ainda não há cura para o diabetes. No entanto, alguns estudos estão desenvolvimento terapias com células-tronco para pacientes recém-diagnosticados do Diabetes Tipo 1; já para Diabetes Tipo 2, cirurgias de redução do estômago têm mostrado bons resultados em pacientes que estão acima do peso.
Fontes:
1- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM. O que é Diabetes? 2007. Disponível em https://www.endocrino.org.br/o-que-e-diabetes/
2- Governo do Brasil – Número de brasileiros com diabetes cresceu 61,8% em 10 anos. 2018. Disponível em http://www.brasil.gov.br/noticias/saude/2017/11/numero-de-brasileiros-com-diabetes-cresceu-61-8-em-10-anos
3- Sociedade Brasileira de Diabetes – SBD. Fatores de risco. 2011. Disponível em https://www.diabetes.org.br/publico/diabetes/fatores-de-risco
4- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM. 10 coisas que você precisa saber sobre Diabetes. 2009. Disponível em https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-diabetes/