Quando o médico prescreve a receita de um medicamento para você, leva em consideração, além dos sintomas e das indicações necessárias para o seu tratamento, fatores genéticos, idade e condições de funcionamento dos rins e fígado, e fatores como hábitos de alimentação e tabagismo, por exemplo, para assim indicar a dosagem correta (1).

No caso da automedicação, quando uma pessoa usa medicamentos sem prescrição ou supervisão de um médico, essa orientação não existe, e o consumo sem orientação pode ser mais prejudicial do que se imagina, inclusive para doenças do coração e tratamentos contínuos.

A automedicação é responsável por grande parte dos atendimentos hospitalares no Brasil, especialmente relacionados a intoxicação, alergia ou efeitos colaterais indesejados, como vômito, diarreia e choque anafilático (2). De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA), cerca de 80 milhões de pessoas fazem uso da automedicação no país (2).

E porque as pessoas buscam a automedicação?

Principalmente para cuidar de sintomas considerados mais simples, como dor de cabeça, dor de garganta, gripes e resfriados (2). Analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios estão no topo do consumo de medicamentos que não necessitam de receita médica (2). O uso indevido de medicamentos pode até aliviar os sintomas momentâneos, mas uma dose errada, frequência inadequada ou excesso de consumo podem causar reações graves (2).

Se o paciente está em tratamento ou se tem alguma condição médica específica, como no caso de pacientes cardíacos, a recomendação é de atenção extra, pois um medicamento usado erroneamente pode levar a um agravamento desse problema de saúde e maior risco de reações adversas (2).

Os riscos da automedicação existem para qualquer tipo de remédio, inclusive fitoterápicos e plantas medicinais. Por isso, qualquer sugestão ou mudança no tratamento precisa ser comunicada ao médico antes de ser colocada em prática. Muitas vezes, a combinação do remédio com o princípio ativo de um fitoterápico pode atrapalhar a eficácia de um medicamento ou até causar efeitos colaterais (2).

E quando utilizamos mais de um medicamento ao mesmo tempo?

Interações medicamentosas são tipos especiais de respostas farmacológicas, em que os efeitos de um ou mais medicamentos são alterados pela administração simultânea ou anterior de outros medicamentos, ou através da administração concorrente com alimentos.

Algumas medicações podem interferir no mecanismo de ação, umas das outras. Chamamos isso de interação medicamentosa, e que podem ocorrer não só pela administração simultânea de fármacos como pela interferência com alimentos (2).

Cuidados também para o uso de antibióticos: eles devem ser usados somente para doenças causadas por bactérias e com orientação médica – seu uso indevido pode comprometer a eficácia do tratamento e pode criar resistência bacteriana (3) (4).

Por isso, procure sempre um médico antes de aceitar a sugestão de um medicamento para aquela dor de cabeça. Ele pode te ajudar e orientar no uso do remédio correto, e assim, cuidar não só deste sintoma como também da sua saúde por inteira.

 

 

 

Fontes:
2 – Automedicação em pacientes cardíacos – http://univates.br/revistas/index.php/destaques/article/view/147
3 – BAGGIO, M. A. O (des)cuidado de si do profissional de enfermagem. São Paulo: Universidade do Contestado, 2004. Em FURTADO, C. F – A informação é o melhor remédio : riscos da automedicação
4 – BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: Rename. 7ªed. Brasilia: Ministério da Saúde, 2012. 250 p. (Serie B. Textos Básicos de Saúde). Em FURTADO, C. F – A informação é o melhor remédio : riscos da automedicação
5 – FIOCRUZ. Fundação Oswaldo Cruz. Estatísticas anuais de casos de intoxicação e envenenamento. Sistema de Informação Nacional de Informação Tóxico Farmacológica. Brasil, RJ, 2008. EM Em FURTADO, C. F – A informação é o melhor remédio : riscos da automedicação