Que o cigarro faz mal para o organismo muita gente sabe. Uma série de doenças ou sintomas pode ser causada ou agravada pelo tabagismo, como aquelas que afetam o sistema respiratório e cardíaco, principalmente. Uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde mostra que cerca de 5 milhões de pessoas morrem todos os anos em todo o mundo em decorrência do tabaco (1). Mas você sabia que os componentes afetam o corpo de homens e mulheres de forma diferente? Conheça mais sobre os danos que o tabagismo causa na mulher:

Câncer: A fumaça do tabaco é um fator de risco para vários tipos de câncer na mulher, como bexiga, rim, cavidade nasal, seios paranasais, lábio, língua, laringe, faringe, esôfago, estômago, fígado e pâncreas, além de leucemia mieloide aguda. Há também um risco aumentado para câncer de colorretal, de vulva e de ovário (2). O tabagismo também aumenta em quase 3 vezes o risco para câncer de colo uterino, apesar do principal fator de risco ser a infecção por HPV (2).

Sistema respiratório: Mulheres são tão afetadas quando homens, sofrendo de enfisema, bronquite e outras doenças crônicas do pulmão. O câncer de pulmão é, inclusive, a principal causa de morte de mulheres no mundo (3).

Sistema cardiovascular: As principais doenças relacionadas ao coração são o infarto do miocárdio, aterosclerose e aneurisma da aorta (2). Mesmo as chamadas consumidoras leves, mulheres que fumam até 4 cigarros por dia, têm 3 vezes mais chances de sofrer uma doença coronariana do que não-fumantes (2).

Sistema urinário: O tabagismo é um dos fatores de risco para incontinência urinária em mulheres, junto com a idade, obesidade e menopausa, entre outros. Como a fumante geralmente tem tosse mais

violenta, isso pode causar um efeito na bexiga, propiciando ou piorando um caso de incontinência (4). Os componentes do tabaco podem também afetar a ocorrência natural da menopausa, antecipando-a em até um ano e meio (4).

Sistema circulatório: Fumantes têm mais risco de sofrer um AVC ou trombose especialmente quando há o uso concomitante de anticoncepcionais (3).

Sedentarismo: Uma pesquisa norte americana indica que fumantes têm mais chance de sofrer de sedentarismo, obesidade e ter hábitos alimentares menos saudáveis (6). A mesma pesquisa mostra que atividades como assistir televisão, no caso de fumantes, aumentam as quantidades de consumo de álcool e de fumo, além da má alimentação mais frequente, causando sobrepeso e o aumento da gordura abdominal (6) – esta é considerada por cardiologistas a mais prejudicial ao sistema cardiorrespiratório.

Sistema esquelético: O uso de tabaco pode afetar a concentração de estrogênio, diminuindo a absorção de cálcio e a densidade mineral óssea. Com isso, aumentam em 80% os riscos de osteoporose e de fraturas (5).

Sistema reprodutor: Fumar reduz a taxa de fertilidade e compromete a qualidade da função reprodutiva. Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que fumantes tinham mais dificuldade em engravidar, especialmente na primeira gestação, já que a taxa de fertilidade média do grupo era de 72% das não fumantes (3). Além disso, quanto mais demoram a engravidar e continuam fumando, mais significativo é o efeito do tabagismo, agravando a condição geral (3).

O tabaco também é um fator de risco para gravidez tubária / ectópica, com uma ocorrência duas vezes maior do que em comparação a mulheres não fumantes (5). Caso a mulher comece a fumar ainda na adolescência, aumentam as chances de Síndrome Pré-menstrual e ciclos irregulares, quando comparados aos de não fumantes (3).

Gestação: O tabagismo afeta o organismo da mulher e principalmente do bebê. Ele é geralmente associado a aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer e até morte súbita do recém-nascido (5). O desenvolvimento dos pulmões do bebê é afetado, causando alterações respiratórias já na infância, com risco para doenças cardiovasculares na idade adulta (1). Há também o risco adicional de desenvolver doenças respiratórias, gastrointestinais e alergias (5). O risco de prematuridade é ainda maior durante o terceiro trimestre da gestação, e aumenta de acordo com o número de cigarros fumados (3).

No organismo da gestante, a nicotina provoca alterações no sistema cardiovascular, elevando a frequência cardíaca, causando taquicardia e alterando a pressão arterial (3). Já no bebê, a nicotina, depois de atravessar a barreira placentária, causa má oxigenação, comprometendo a nutrição e a formação do bebê (3).

Amamentação: Mães que fumam durante os seis primeiros meses de vida da criança tendem a amamentar por menos tempo, inclusive por causa da redução da produção de leite pelo organismo. O leite materno também tem menos gordura, afetando o ganho de peso das crianças (5).

Estes são alguns dos riscos indicados pelos médicos para mulheres, e por isso é tão importante incentivar o abandono desse vício. Existem programas gratuitos, promovidos pela iniciativa pública, com mais informações. O site do Instituto do Câncer, em sua página do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, oferece mais informações (7).

Fontes:

1 – The Tobacco atlas – OMS – https://tobaccoatlas.org/
2 – Lombardi, Elisa Maria Siqueira, Prado, Gustavo Faibichew, Santos, Ubiratan de Paula, & Fernandes, Frederico Leon Arrabal. (2011). O tabagismo e a mulher: riscos, impactos e desafios. Jornal Brasileiro de Pneumologia, 37(1), 118-128. https://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132011000100017
3 – Mello, Paulo Roberto Bezerra de, Pinto, Gilberto Rodrigues, & Botelho, Clovis. (2001). Influência do tabagismo na fertilidade, gestação e lactação. Jornal de Pediatria, 77(4), 257-264. https://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572001000400006
4 – Incontinência urinária: Rosângela Higa , Maria Helena Baena de Moraes Lopes , Maria José dos Reis – Fatores de risco para incontinência urinária na mulher. Rev. esc. enferm. USP [online]. 2008, vol.42, n.1, pp.187-192. ISSN 0080-6234. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342008000100025.
5 – Leopércio, Waldir, & Gigliotti, Analice. (2004). Tabagismo e suas peculiaridades durante a gestação: uma revisão crítica. Jornal Brasileiro de Pneumologia, 30(2), 176-185. https://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132004000200016
6- Cortes, Taísa Rodrigues, Schlussel, Michael Maia, Franco-Sena, Ana Beatriz, Rebelo, Fernanda, & Kac, Gilberto. (2013). Television viewing and abdominal obesity in women according to smoking status: results from a
large cross-sectional population-based study in Brazil. Revista Brasileira de Epidemiologia, 16(1), 137-145. https://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2013000100013
7 – Instituto do Câncer (INCA): http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo