O momento histórico atual, sem dúvida, tem apontado para a importância de uma reflexão profunda a respeito das sociedades industriais contemporâneas e seus impactos sobre a saúde e a qualidade de vida do trabalhador¹.

 

A importância da qualidade de vida no trabalho dentro das organizações vem sendo um assunto de extrema relevância e discussão no âmbito organizacional, pois no mercado altamente competitivo em que convivemos, é importante que sejam adotadas e desenvolvidas ações de melhoria para o bem-estar biológico, psicológico e social do funcionário².

 

Ao considerar a íntima relação entre saúde e trabalho, podemos dizer que o estado de saúde dos trabalhadores não é independente de sua atividade de trabalho e que trabalhador é toda pessoa que exerce uma atividade de trabalho, independentemente de estar inserido no mercado formal ou informal de trabalho, inclusive na forma de trabalho familiar ou doméstico¹. Como adendo, lembramos que o mercado informal no Brasil tem crescido acentuadamente nos últimos anos¹. Para que o trabalhador possa gozar de saúde é necessário compreender os condicionantes sociais, econômicos, tecnológicos e organizacionais responsáveis pelas condições de vida bem como os fatores de riscos ocupacionais – físicos, químicos, biológicos, mecânicos e aqueles decorrentes da organização laboral – presentes nos processos de trabalho¹.

 

Assim, as ações de promoção da saúde e da qualidade de vida do trabalhador têm como foco as mudanças nos processos de trabalho que contemplem as relações trabalho-saúde em toda a sua complexidade¹. Quando o ambiente e as condições de trabalho, bem como o estilo de vida do indivíduo estão em desequilíbrio, os problemas de saúde ocupacional aparecem e consequentemente, os custos de assistência médica para as empresas se elevam; o que acarreta numa maior preocupação sobre as questões de saúde¹. Sabe-se que o nível de qualidade de vida no trabalho tem relação direta com as finanças e produtividade da empresa¹.

 

Para assegurar melhores condições de trabalho e evitar o processo de adoecimento, é preciso que o ambiente de trabalho ofereça condições adequadas para as atividades laborais¹. Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define que um local de trabalho saudável é aquele em que os “trabalhadores e gestores colaboram em um processo contínuo de melhoria para proteger e promover a saúde, o bem-estar, a segurança e sustentabilidade do seu local de trabalho¹. A adesão aos princípios dos ambientes de trabalho saudáveis é essencial, pois evita afastamentos e incapacidades para o trabalho minimizam os custos com saúde e os custos associados com a alta rotatividade e aumenta a produtividade em longo prazo bem como a qualidade dos produtos e serviços¹.

 

Protegendo a saúde

São os trabalhadores que mantém a empresa ativa³. A gerência, diretoria e presidência, e até mesmo um investidor, podem manter funcionando uma empresa, mas são os funcionários que fazem os trabalhos que precisam ser realizados e que, portanto, criam recursos para uma empresa ser bem-sucedida³. Para manter-se trabalhando sem percalços, com dedicação e atenção, os trabalhadores devem estar confiantes de que não serão lesionados ou adoecidos pelo trabalho³. Uma lesão que mantém um funcionário ausente do trabalho pode afetar toda a família do trabalhador³.

 

Cuidados médicos

A assistência médica deve começar com a avaliação de trabalhadores que estão sendo considerados para empregos especialmente exigentes ou empregos que envolvem a segurança de outros³. O exame médico deve garantir que a capacidade laborativa ocorra com segurança; protege a segurança de terceiros dependentes destes; deve servir para o estado de saúde inicial, para que as alterações posteriores possam ser identificadas , e, por último, serve para determinar se há um problema de saúde que possa ser agravado pelo trabalho³.

 

Um bom atendimento médico pode ajudar a evitar os efeitos nocivos que podem ocorrer durante o período laborativo³. A avaliação anual dos trabalhadores realizada por médico ou enfermeiro, e a realização de exames complementares é boa para saúde, e é uma maneira de proteger os trabalhadores, para evitar que situações nocivas para a saúde piorem e para confirmar que as medidas de proteção estão funcionando³. É por isso que é exigido por lei em muitos países, como o Brasil, por exemplo³.

 

Se o médico ou o enfermeiro tem conhecimento a respeito de ‘doenças ocupacionais’, ele pode ter uma visão acerca disto e sugerir os exames que são necessários³.  Nesse sentido, favorecer intervenções que visem modificar o estilo de vida dos colaboradores, visando a conscientização e orientação dos trabalhadores no trato de si mesmos.

 

Fontes:
1 – A INFLUENCIA DO AMBIENTE DE TRABALHO E DO ESTILO DE VIDA SOBRE A SAÚDE DO TRABALHADOR MIRIAN DAMARIS BENAGLIA (UNIP). Disponível em http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2012_tn_wic_160_932_21165.pdf. Acesso no dia 15 de abril de 2019.
2- QUALIDADE DE VIDA NO AMBIENTE DE TRABALHO: FATORES DECISIVOS NO DESEMPENHO ORGANIZACIONAL DE UMA EMPRESA. Faculdade Inesul. Disponível em https://www.inesul.edu.br/revista/arquivos/arq-idvol_33_1426201786.pdf. Acesso no dia 15 de abril de 2019.
3- 2014 Tee L. Guidotti, em nome da Comissão Internacional de Saúde Ocupacional Todos os direitos reservados para a Comissão Internacional de Saúde Ocupacional. Disponível em http://www.icohweb.org/site/multimedia/oh-guide/OH%20Guide%20Portuguese%20Translation.pdf. Acesso no dia 15 de abril de 2019.