O suicídio é um sério problema de saúde pública cujo controle e prevenção são difíceis (1). Algumas pesquisas indicam que formas de controlar envolvem melhores condições para criação de crianças e jovens, oportunidade de tratamento efetivo de possíveis transtornos mentais e até mesmo controle dos fatores de risco ambientais (1). Além disso, outra forma de prevenção é com a disseminação informações e o aumento da conscientização nas pessoas (1).

O tema infelizmente ainda é um tabu (2). O problema é altamente negligenciado no Brasil e em boa parte do mundo, apesar dos índices de suicídio terem crescido nas últimas décadas (2). O tema é um estigma milenar com raízes histórico-culturais, o que dificulta que as pessoas falem sobre ele abertamente (2).

A morte por suicídio ocupa a terceira posição entre as causas mais frequentes de falecimento na população entre 14 e 44 anos de alguns países (3). Estima-se que as tentativas sejam 20 vezes mais frequentes que o suicídio consumado, sendo que homens cometem mais suicídio e mulheres fazem mais tentativas (3). Além disso, os transtornos mentais estão associados com cerca de 90% dos casos, como transtornos de humor relacionados a substâncias, de personalidade e esquizofrênicos (3).

No entanto, como podemos lidar com o aumento das taxas de suicídio, entender suas causas, motivos, grupos de risco e até mesmo comportamentos para combatermos o problema de saúde pública?

Os suicídios resultam de uma complexa interação entre fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociológicos, culturais e ambientais (2). O desafio é identificar as pessoas que estão em risco e encaminhá-las a um especialista em gestão comportamental, que consiga entender as circunstâncias que influenciam esse comportamento, fazer intervenções eficazes e desenvolver iniciativas capazes de lidar com esse problema (2).

Alguns comportamentos são mais comuns, e os fatores de riscos gerais incluem (2):

  • Estatuto sócio-econômico e nível de educação baixos;
  • Perda de emprego;
  • Stress social;
  • Problemas com a família, relações sociais e sistemas de apoio;
  • Trauma como abuso físico ou sexual;
  • Perdas pessoais;
  • Depressão, perturbações de personalidade, esquizofrenia e abuso de álcool/substâncias tóxicas;
  • Sentimentos de baixa auto-estima ou de desesperança;
  • Questões de orientação sexual;
  • Comportamentos idiossincráticos (como estilo cognitivo e estrutura de personalidade);
  • Pouco discernimento, falta de controle da impulsividade e comportamentos auto-destrutivos;
  • Pouca competência para enfrentar problemas;
  • Doença física ou dor crônica;
  • Exposição ao suicídio de outras pessoas;
  • Acesso a meios de conseguir fazer-se mal;
  • Acontecimentos destrutivos e violentos (como guerra ou desastres catastróficos).

A melhor forma de combater o problema é falar sobre ele. Com a ajuda ideal, 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ser prevenidos (4). Setembro é conhecido como Setembro Amarelo, mês de campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo de alertar as pessoas sobre o problema e formas de prevenção, com uma ampla divulgação de informações (4).

 

Existem alguns fatores de prevenção que podem ser usados para casos de suicídio (2):

  • Apoio da família, de amigos e de outros relacionamentos significativos;
  • Crenças religiosas, culturais e étnicas;
  • Envolvimento na comunidade;
  • Vida social satisfatória;
  • Integração social como trabalho e o uso construtivo do tempo de lazer;
  • Acesso a serviços e a cuidados de saúde mental.

 

Portanto, se você conhece alguém dentro dos fatores de risco, ofereça ajuda e informe sobre possíveis alternativas:

Fontes:
1- Organização Mundial da Saúde – Prevenção do Suicídio: um manual para profissionais da mídia. Genebra, 2000. Disponível em http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/en/suicideprev_media_port.pdf
2- Organização Mundial da Saúde – Prevenção do Suicídio – Um recurso para conselheiros. Genebra, 2006. Disponível em http://www.who.int/mental_health/media/counsellors_portuguese.pdf
3- PRIETO, Daniela; TAVARES, Marcelo. Fatores de risco para suicídio e tentativa de suicídio: incidência, eventos estressores e transtornos mentais. 2005. Disponível em http://pesquisa.bvs.br/brasil/resource/pt/lil-438306
4- Setembro Amarelo. O Suicídio. Disponível em http://www.setembroamarelo.org.br/o-suicidio/