O sono constitui-se em um aspecto fundamental da vida do ser humano. Possui função restaurativa, de conservação de energia e de proteção¹. Sua privação pode determinar importante prejuízo em curto ou em longo prazo nas atividades diárias, causando adversidades sociais, somáticas, psicológicas ou cognitivas¹. 

 

A privação de sono é uma condição cada vez mais observada na sociedade moderna, resultando em diversos efeitos neurocomportamentais². Um dos principais efeitos comportamentais dessa condição é a proeminência de estados ansiosos². 

 

Os sintomas relacionados aos transtornos do sono (TS) são frequentes em crianças e adultos, como insônia, sonolência excessiva diurna (SED), incapacidade de dormir no momento desejado e eventos anormais durante o sono¹. 

 

Ansiedade e sono³ 

A ansiedade tem sido descrita como uma das mais importantes consequências da privação de sono. Atualmente, diversas pesquisas permitem concluir que a ansiedade, sobretudo na forma de transtorno de ansiedade generalizada, é uma importante consequência da privação de sono, tanto de forma total quanto restrita ao sono. De modo inverso, transtornos de ansiedade acarretam em importantes alterações na arquitetura e na qualidade de sono.  

 

O sono é de ampla importância para a conservação de uma vida saudável, que, sendo de qualidade, possibilita bem-estar e disposição física e mental. Dessa maneira, a falta ou mesmo hábitos inapropriados de sono repercutem de forma negativa na vida das pessoas, seja no trabalho, na escola, ou mesmo socialmente, influenciando no aprendizado, e podem causar: redução da motivação e concentração, déficit de memória, sonolência diurna, alterações de humor, queda da imunidade, entre outras 

 

A adolescência é uma fase em que o sono passa por diversas alterações estruturais que podem implicar em problemas na qualidade do sono e, consequentemente, pode gerar um conflito negativo em diferentes áreas da vida de um adolescente, compreende até a saúde mental. Entende-se que atualmente os jovens estão tão vulneráveis as inquietações da ansiedade como os adultos. Diante desse fato, nessa fase os sentimentos e emoções tomam maiores proporções e por isso a ansiedade deve ser enfrentada com a devida importância. 

 

A ansiedade é uma situação comum, caracterizada por preocupação excessiva e crônica sobre diferentes temas, associada a tensão aumentada. Uma pessoa com um transtorno de ansiedade generalizada normalmente se sente irritada e tem sintoma físicos, como inquietação, fadiga fácil e tensão muscular. Pode ter problemas de concentração e de sono. Para fazer um diagnóstico, os sintomas devem estar presentes por pelo menos seis meses e causar desconforto clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes. 

 

Os sintomas essenciais são variáveis, mas compreendem nervosismo persistente, tremores, tensão muscular, transpiração, sensação de vazio na cabeça, palpitações, tonturas e desconforto epigástrico. Medos de que o paciente ou um de seus próximos irá brevemente ficar doente ou sofrer um acidente são frequentemente expressos. Sua sinonímia inclui estado ansioso, neurose ansiosa e reação de angústia.  

 

Pelo menos três de seis sintomas precisam estar presentes para um diagnóstico: inquietação ou nervosismo, fadiga, perda de concentração, irritabilidade, tensão muscular e sono perturbado. 

 

Insônia¹ 

Já a insônia é o transtorno do sono mais frequente na população, representando um importante problema de saúde pública. Alguns dos seus fatores de risco incluem o envelhecimento, duas ou mais doenças ao mesmo tempo, trabalho por turnos e, provavelmente, desemprego e menor status socioeconômico.  

 

A insônia é diagnosticada pela avaliação clínica e história do sono, além de detalhada anamnese médica, uso de drogas e avaliação de transtornos psiquiátricos. As queixas de insônia são relacionadas à dificuldade de iniciar o sono, múltiplos despertares noturnos com dificuldade para voltar a dormir, despertar precoce, além de sonolência/fadiga persistente durante o dia.  

 

Fontes: 
1 – Transtornos do sono: visão geral – Revista Brasileira Neural. Disponível em http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2013/v49n2/a3749.pdf. Último acesso no dia 21 de junho de 2019. 
2 – Relação entre privação de sono e ansiedade na pesquisa básica – Scielo. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/eins/v10n4/pt_v10n4a22.pdf. Último acesso no dia 21 de junho de 2019. 
3  Transtorno de Ansiedade Generalizada. Disponível em http://www.saude.sc.gov.br/index.php/documentos/atencao-basica/saude-mental/protocolos-da-raps/9217-ansiedade-generalizada/fileÚltimo acesso no dia 21 de junho de 2019.