O dia 20 de novembro de 2016 entrou para a história do automobilismo brasileiro com a conclusão da penúltima etapa da Stock Car e o piloto Ricardo Maurício consolida esse momento com a vitória na segunda corrida. “Foi uma estratégia arriscada, mas fomos administrando o combustível até a última volta. Fico feliz em inaugurar junto com Felipe Fraga a galeria dos campeões do novo autódromo”, diz ele.

Tudo começou na primeira corrida, quando Ricardo Maurício largou dos boxes. Mesmo classificando em décimo lugar, o piloto tinha que cumprir uma punição determinada pela Confederação Brasileira de Automobilismo referente a uma colisão com Marcos Gomes durante a  Corrida do Milhão. Largando no final do pelotão e com chances reduzidas de vitória, a equipe optou por poupar pneus e combustível para a segunda prova. E deu certo. Logo na largada, saindo do décimo primeiro lugar, ele voou para cima dos adversários e rapidamente ocupou a oitava posição. O combustível poderia ser um fator determinante para ele e para outros competidores que ocupavam as primeiras filas e optaram por não abastecer. Na cabine de controle da Eurofarma, o chefe de equipe Rosinei Campos fazia contas e falava com o piloto pelo rádio. “Tínhamos que economizar e ser agressivos ao mesmo tempo”, conta ele.

A passagem do oitavo para o terceiro lugar aconteceu sem o uso do push to pass, dispositivo que aumenta a potência do motor e facilita a ultrapassagem. “Cada vez que acionamos o push há um consumo maior do combustível e eu não poderia arriscar”, lembra. Ao final da prova, o piloto ainda tinha quatro acionamentos. “Cheguei a usar mais um na reta final contra o Rubinho, não imaginei que ele pararia logo em seguida”.

Cada volta do carro #90 era comemorada pela equipe que estava na expectativa de um segundo lugar, mas faltando alguns metros para a chegada, Rubens Barrichello teve pane seca, deixando a liderança livre para a vitória do bicampeão. “Saímos para uma boa colocação, mas não imaginavamos um primeiro lugar nessa corrida”.

O campanheiro de equipe Max Wilson largou em décimo lugar, mas logo nas primeiras voltas o carro #65 teve um vazamento de óleo da direção o que o obrigou a retornar aos boxes.

A pequena cidade de Curvelo, distante 170 km da capital mineira, virou notícia em todo o país ao apresentar o Circuito dos Cristais, maior autódromo ativo do Brasil. Com 4.420 metros de extensão e estrutura capaz de receber grandes eventos, a pista ainda contou com um ingrediente ainda mais especial, o povo mineiro que brindou a chegada da Stock Car lotando as arquibancadas. “Fomos muito bem recebidos por todos os lugares por onde passamos, e ver toda essa movimentação de pessoas poderia, inclusive, servir de exemplo para que tenhamos novos empreendimentos como esse em outras partes do país”, conta o piloto Ricardo Maurício.

Feliz com o resultado, a equipe segue para a grande final em Interlagos. Mesmo sem disputar diretamente o título, a equipe comemora grandes feitos durante toda a temporada. Sobre os problemas, eles disparam “Não podemos nos ater às dificuldades em nenhuma área da nossa vida. Essa prova em Curvelo mostrou exatamente isso. Com trabalho sério, ética e comprometimento da equipe, um momento ruim pode se transformar na vitória de todos”.

Classificação na temporada:

  1. Felipe Fraga – 282 pontos
  2. Rubens Barrichello – 245
  3. Valdeno Brito – 200
  4. Marcos Gomes – 195
  5. Diego Nunes – 174
  6. Daniel Serra – 169
  7. Max Wilson – 167
  8. Átila Abreu – 167
  9. Ricardo Maurício – 162
  10. Vitor Genz – 158
  11. Allan Khodair – 157
  12. Cacá Bueno – 146