Cefaleia

Cefaleia é o termo médico para a tão conhecida dor de cabeça. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia existem mais de 150 tipos de dores, divididas entre primárias e secundárias (causadas por alguma outra doença). As dores de cabeça primárias são as mais comuns e são divididas em quatro tipos (1):

– enxaqueca: tem forte intensidade, muitas vezes é acompanhada de náuseas e intolerância a luz ou som. As crises podem durar de 4 a 72 horas..

– cefaleia do tipo tensional: É o tipo mais frequente no mundo, geralmente é descrita com a sensação de ter uma faixa apertada na cabeça, especialmente quando acontece bilateralmente. Tem intensidade moderada e pode durar de 30 minutos a 7 dias.

– cefaleia em salvas: Os episódios de crise são chamados salvas. Acontecem geralmente no mesmo horário, por vários dias seguidos, com forte intensidade, e pode vir acompanhada de lacrimejamento e corrimento nasal.

– cefaleia crônica diária: acontecem em pelo menos 15 dias no mês, podem aumentar de intensidade e frequência gradativamente, especialmente pelo uso exagerado de analgésicos.

As dores de cabeça secundárias têm origem variada e são causadas por outras doenças. Muitas vezes são acompanhadas de outros sintomas, como náuseas e vômitos, e necessitam de uma investigação mais aprofundada. Entre as origens mais conhecidas estão a Trombose Venosa Cerebral (TVC), Aneurisma (e sua ruptura), Traumatismo ou lesões na cabeça e pescoço, Infecções do sistema nervoso (meningite) e Tumores Cerebrais (que podem aumentar gradativamente a pressão do cérebro, causando a dor). Cada tipo requer um diagnóstico e um tratamento diferente, que deve ser feito por um médico.

 

Causas

O stress é um dos grandes vilões da cefaleia, sendo responsável principalmente pela cefaleia tensional (2). Alimentação e falta de sono também podem causar episódios de dor (3). Outros tipos de cefaleia, como a enxaqueca, têm outros fatores desencadeantes e a gama de opções é grande: tabagismo, alimentação (café e chocolate, por exemplo) e mudanças hormonais (menstruação ou TPM, para mulheres) são algumas das opções. A investigação médica será capaz de verificar os gatilhos e assim, indicar o tratamento ideal (3).

 

Sintomas

As dores de cabeça podem ocorrer em um dos lados da cabeça ou em ambos ao mesmo tempo, serem latejantes ou causar uma sensação de dor surda. Podem também aparecer de repente, gradualmente, durar uma hora ou vários dias, de acordo com a causa da dor (4).

No caso de dores de cabeça secundárias, alguns sintomas ou sinais são considerados de alerta e indicam a procura por um especialista. Alguns destes sinais incluem (5):

– Mudança no padrão da dor de cabeça, para pacientes que já apresentam quadros de cefaleia, especialmente com alteração na intensidade;

– Dor de cabeça em idades incomuns (abaixo de 5 anos ou acima de 50 anos de idade);

– Antecedentes de viroses, dengue, Chikungunya ou zika vírus;

– Confusão mental, dor ocular ou alterações neurológicas.

 

Diagnóstico

Procurar um neurologista é o primeiro passo para definir o diagnóstico e possível tratamento de uma cefaleia. Para cefaleias primárias, são utilizados o exame físico e neurológico, combinado com o estudo do histórico do paciente, para identificação e mapeamento do tipo de dor de cabeça (5).

Em pacientes com dores de cabeça secundárias, o diagnóstico é feito a partir de uma série de exames físicos, e pode incluir exames de imagem, laboratoriais e até líquor. Assim, é possível verificar ocorrências de processos inflamatórios ou infecciosos, suspeitas de acidentes cerebrais (aneurismas ou tromboses) e hemorragias (5).

 

Prevenção

Eventos esporádicos de dor podem ser prevenidos com atividade física regular, sono e controle do stress (1). Para pacientes de enxaqueca ou outros tipos de cefaleias primárias recorrentes, a restrição nos fatores que disparam a dor também é uma forma de prevenir salvas.

 

Tratamento

O tratamento da cefaleia é geralmente feito com o uso de analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares, de acordo com o tipo e a intensidade. Enxaquecas podem ser tratadas preventivamente, mapeando e evitando fatores que disparam a dor, como alguns alimentos, alteração da rotina diária, e no caso das mulheres, a menstruação ou o uso de anticoncepcionais (3).

O acompanhamento médico é fundamental para determinar o tratamento e dosagem do analgésico, durante os períodos de crise, e das opções profiláticas, para a prevenção ou diminuição da frequência das crises. Formas crônicas de cefaleia precisam de acompanhamento multiprofissional, que pode contar com Fisioterapeuta, Nutricionista e Educador Físico, além de Neurologista. De qualquer forma, uma alimentação balanceada, atividade física e evitar os desencadeantes da dor são recursos que podem ajudar a reduzir ocorrências e viver com mais qualidade de vida. Recursos alternativos como meditação, acupuntura e terapias cognitivas podem ajudar no relaxamento e no controle de cefaleias (3).

 

Fontes:
1 – Sociedade Brasileira de Cefaleia – https://www.sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=363
2 – Cefaleias em Adultos na Atenção Primária à Saúde: Diagnóstico e Tratamento: Projeto Diretrizes –  Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. https://diretrizes.amb.org.br/_BibliotecaAntiga/cefaleias-em-adultos-na-atencao-primaria-a-saude-diagnostico-e-tratamento.pdf
3 – Sociedade Brasileira de Cefaleia – https://www.sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=364 / https://www.sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=361
4 – Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor – http://www.sbed.org.br/materias.php?cd_materias=371&codant=76&hl=cefaleia&cd_secao=77&busca=1#371
5 –Sociedade Brasileira de Cefaleia – https://www.sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=359
6 –Sociedade Brasileira de Cefaleia – https://www.sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=349