A febre de Chikungunya é uma arbovirose (doença com vírus transmitido por artrópodes – como mosquitos) causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV), transmitido pela picada das fêmeas de mosquitos Aedes Aegypti e Aedes albopictus infectados (1).  

Em 2013, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) publicou um alerta epidemiológico sobre os primeiros casos autóctones da doença (contaminação ocorrida dentro do próprio local, sem ter sido trazida de nenhum lugar ou agente), e em 2014 foram registrados mais de um milhão de casos suspeitos em países como México, El Salvador, Porto Rico, Colômbia, Brasil e outros, com 169 mortes (2).  

No Brasil ocorreu a transmissão autóctone nos estados do Amapá e Bahia em 2014 (3) e hoje o Aedes aegypti pode ser localizado em 4 mil municípios, e o Aedes albopictus, em mais de 3 mil municípios (2) no país.  

 

Causas 

A transmissão do vírus CHIKV é feita pela picada de mosquito infectado. O período de incubação no corpo é entre 3 e 7 dias (1). O vírus fica presente no sangue por até dez dias, e os sintomas normalmente aparecem depois de dois dias da contaminação (1).  

 

Sintomas 

Alguns estudos mostram que até 70% das pessoas infectadas apresentam os sintomas da doença – o que é bastante representativo se comparado com outras arboviroses (1).  

A doença pode evoluir em três fases: aguda, subaguda e crônica (1): 

 

Fase aguda ou febril 

  • Febre de início súbito; 
  • Dores nas articulações; 
  • Dores nas costas; 
  • Erupções na pele; 
  • Dor de cabeça; 
  • Fadiga; 
  • Dor retro-ocular (atrás dos olhos); 
  • Calafrios; 
  • Conjuntivite sem secreção; 
  • Faringite; 
  • Náusea; 
  • Vômitos; 
  • Diarreia; 
  • Dor abdominal; 
  • Neurite (inflamação do nervo óptico). 

 

Fase subaguda 

  • Desaparecimento da febre; 
  • Agravamento das dores nas articulações; 
  • Inflamação nos tendões do punho, mãos e tornozelos;  
  • Dormência / formigamento / fraqueza nas articulações; 
  • Astenia (perda ou diminuição da força física); 
  • Vermelhidão e bolhas na pele; 
  • Endurecimento das artérias das pernas e dos pés; 
  • Fadiga; 
  • Sintomas depressivos. 

Caso os sintomas persistam por mais de 3 meses, é possível que o paciente tenha desenvolvido a fase crônica da doença.  

 

Fase crônica 

Alguns pacientes podem ter a persistência dos sintomas da fase subaguda, principalmente as dores articulares. Existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento desta fase da doença: ter acima de 45 anos, ser mulher, ter desordem muscular preexistente e maior intensidade das lesões articulares. 

Pode ocorrer, também, a limitação de movimento das articulações já afetadas, além de dores na região do quadril, lombar e cervical. Além disso, existem relatos de sintomas como: 

  • Fadiga; 
  • Cefaleia; 
  • Coceira na pele; 
  • Alopecia (perda total ou parcial de cabelo); 
  • Erupção cutânea; 
  • Bursite; 
  • Inflamação nos tendões; 
  • Disestesias (enfraquecimento ou alteração nos sentidos, principalmente no tato); 
  • Parestesias (sensações na pele como frio, calor, adormecimento ou pressão); 
  • Dor neuropática (desconforto causado por lesões no cérebro, medula, coluna ou nervos); 
  • Fenômeno de Raynaud (áreas dormentes e frias no corpo); 
  • Alterações cerebelares (espasmos, diminuição da capacidade motora, alteração no equilíbrio e descontrole muscular); 
  • Distúrbios do sono; 
  • Visão turva; 
  • Alterações de memória; 
  • Déficit de atenção; 
  • Alterações de humor; 
  • Depressão. 

Essa fase por durar até 6 anos, em alguns casos. 

 

Diagnóstico 

A partir dos sintomas, o médico vai analisar a melhor forma de diagnosticar paciente. No entanto, existem alguns testes laboratoriais que podem confirmar a contaminação pelo vírus CHIVK. São eles (3): 

  • Cultura de vírus; 
  • RT-PCR; 
  • Pesquisa de anticorpo na Imunoglobina M; 
  • Imunoglobina G ou ensaio de anticorpo neutralizador mostrando títulos crescentes. 

 

Prevenção 

A melhor prevenção é o controle da população dos mosquitos transmissores do vírus. Existem algumas medidas de saúde que ajudam a diminuir epidemias. São elas (3): 

  • Educar as pessoas sobre os riscos da doença e as formas de contágio / disseminação da contaminação; 
  • Reduzir os habitats dos mosquitos: cuidado com água parada nos ambientes internos e externos; 
  • Colocar mosquiteiros nas camas / locais de repouso / quartos; 
  • Usar mangas compridas para diminuir a área de contato com o mosquito. 

 

Tratamento 

Não existe tratamento específico para a doença, normalmente a terapia utilizada é o de aliviar os sintomas, hidratação e repouso do paciente (1). No entanto, cada caso será avaliado por um médico especialista.  

 

Fontes: 
1 – Ministério da Saúde – Secretaria de Vigilância em Saúde. Febre de Chikungunya – manejo clínico. 2017. Disponível em http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/dezembro/25/chikungunya-novo-protocolo.pdf  
2- SILVA, Nayara Messias da; TEIXEIRA, Ricardo Antônio Gonçalves; CARDOSO, Clever Gomes; JUNIOR, João Bosco Siqueira; COELHO, Giovanini Evelim; OLIVEIRA, Ellen Synthia Fernandes de. Vigilância de Chikungunya no Brasil: desafios no contexto da Saúde Pública. 2018. Disponível em https://scielosp.org/article/ress/2018.v27n3/e2017127/pt/  
3- Organização Pan-Americana de Saúde, Organização Mundial da Saíde. Informação para profissionais de saúde – Febre de Chikungunya. 2014. Disponível em https://www.paho.org/hq/dmdocuments/2014/POR-CHIK-Aide-memoire–clinicians.pdf