A depressão vem se tornando cada vez mais frequente na adolescência (idade a partir de doze anos), exigindo a atenção dos profissionais das diferentes áreas da saúde¹. Não estamos mais diante de uma sintomatologia considerada esperada para esse período, mas de um quadro da medicina grave que interfere em todos os âmbitos da vida desse jovem, dificultando a sua passagem por uma das fases mais importantes do desenvolvimento humano¹. 

 

A partir da adolescência, a sintomatologia depressiva passa a ser responsável por cerca de 75% das internações psiquiátricas. A depressão sempre foi considerada uma doença específica da fase adulta¹. Somente a partir de 1960 sua ocorrência foi relacionada à infância e adolescência¹.  

 

A adolescência representa um período de contínuas e profundas transformações, tanto no nível psíquico quanto no físico e social. O sujeito, ao entrar na adolescência, passa a residir em um novo corpo, que clama por uma nova identidade e que marca a sua passagem da esfera familiar à esfera social¹. Essas mudanças geram um intenso sofrimento, pois acarretam perdas referentes à imagem infantil, aos pais idealizados da infância e à identidade infantil¹. Essas perdas, por sua vez, representam um rompimento com o passado a fim de que seja possível ao adolescente investir no futuro, desligando-se dos pais esse tornando apto a realizar suas escolhas¹. 

 

Percebe-se quão árduo é o processo de adolescer e quão vulnerável o sujeito fica ao entrar nesta fase¹. Por isso a adolescência é descrita como um período de crise e conflitos¹.  Todas as perdas características da adolescência geram sofrimento e angústia, tornando frequentemente esperadas as manifestações da depressão¹ 

 

A manifestação da depressão em adolescentes costuma apresentar sintomas semelhantes aos dos adultos, mas também existem importantes características que são típicas do transtorno depressivo nesta fase da vida². Adolescentes deprimidos não estão sempre tristes; apresentam-se principalmente irritáveis e instáveis, podendo ocorrer crises de explosão e raiva em seu comportamento² 

 

Mais de 80% dos jovens deprimidos apresentam humor irritado e ainda perda de energia, apatia e desinteresse importante, retardo psicomotor, sentimentos de desesperança e culpa, perturbações do sono, principalmente hipersonia, alterações de apetite e peso, isolamento e dificuldade de concentração². Outras características próprias desta fase são o prejuízo no desempenho escolar, a baixa autoestima, as ideias e tentativas de suicídio e graves problemas de comportamento, especialmente o uso abusivo de álcool e drogas². 

 

Quanto aos fatores de risco para depressão em adolescentes, o mais importante é a presença de depressão em um dos pais, sendo que a existência de história familiar para depressão aumenta o risco em pelo menos três vezes, seguidos por estressores ambientais, como abuso físico e sexual e perda de um dos pais, irmão ou amigo íntimo². 

 

Prevenção e tratamento³ 

A melhor forma de prevenir a depressão é cuidando da mente e do corpo, com alimentação saudável e prática de atividades físicas regulares. Saber lidar com o estresse e compartilhar os problemas com amigos ou familiares é outra alternativa, que pode ser aliada à prática de alguma atividade integrativa e complementar, como yoga, por exemplo. Ajudam a prevenir a depressão leitura, aprender coisas novas, ter hobbies, viajar e se divertir. Essas práticas mantém a cabeça ativa e a ocupam com pensamentos positivos.  

 

A ciência já comprovou que cuidar do corpo reflete na saúde mental de forma positiva. Atividades físicas liberam hormônios e outras substâncias importantes para manutenção do humor. Na alimentação, receitas ou dietas recheadas de azeite de oliva, peixes, frutas, verduras e oleaginosas (nozes, castanhas etc) são o ideal para prevenir depressão. Esses produtos são ricos em nutrientes que protegem e conversam a rede de neurônios. 

 

O tratamento da depressão é essencialmente medicamentoso. Existem mais de 30 antidepressivos disponíveis. Ao contrário do que alguns temem, essas medicações não são como drogas, que deixam a pessoa eufórica e provocam vício.  A terapia é simples e, de modo geral, não incapacita ou entorpece o paciente. Alguns pacientes precisam de tratamento de manutenção ou preventivo, que pode levar anos ou a vida inteira, para evitar o aparecimento de novos episódios. A depressão não tem tempo para passar. Pode durar dias, semanas, meses ou anos. 

 

Fontes: 
1- DEPRESSÃO NA ADOLESCÊNCIA: UMA PROBLEMÁTICA DOS VÍNCULOS – Scielo. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/pe/v17n1/v17n1a09.pdfÚltimo acesso em 29 de agosto de 2019. 
2- Aspectos clínicos da depressão em crianças e adolescentes. Jornal de Pediatria – 2002. Disponível em http://www.jped.com.br/conteudo/02-78-05-359/port.pdfÚltimo acesso em 29 de agosto de 2019. 
3- Depressão: causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção – Ministério da Saúde. Disponível em http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/depressaoÚltimo acesso em 29 de agosto de 2019.