Diabetes é uma doença crônica provocada por hiperglicemia, ou seja, pelo excesso de açúcar / glicose no sangue. Este excesso é causado principalmente pela deficiência de um hormônio chamado insulina no organismo, seja na sua produção pelo pâncreas ou pela distribuição pelo corpo (1).

A glicose é uma fonte de energia que conseguimos através dos alimentos. A insulina é responsável pelo controle da quantidade de glicose que circula pelo sangue. Quando a fabricação de insulina está comprometida, diversos órgãos podem ser afetados, trazendo problemas como inchaço, perda de sono, má circulação do sangue, problemas renais e no sistema nervoso, glaucoma e catarata (1).

Existem dois tipos principais de Diabetes: 1 e 2. Além disso, podemos citar dois outros tipos de Diabetes: a Gestacional e o Pré-Diabetes. A Federação Internacional de Diabetes estima que existam 425 milhões de portadores de diabetes no mundo: o Brasil é o quarto país com maior número de pacientes (13 milhões), atrás da China, Índia e Estados Unidos (2).

Diabetes tipo 1: Acontece quando o sistema imunológico ataca células produtoras de insulina no pâncreas, prejudicando a produção do hormônio. Acontece principalmente em crianças e adolescentes, e o tratamento inclui insulina, medicação, reeducação alimentar e atividades físicas (1).

Diabetes tipo 2: Acontece quando o pâncreas não atende à demanda de insulina necessária pelo corpo. É o tipo mais frequente de diabetes, afetando adultos com mais frequência. Também pode ser uma forma hereditária da doença, sendo desencadeada por fatores como obesidade, infecções, menopausa e até mesmo o estado emocional das pessoas. Seu tratamento demanda principalmente o controle da glicose com atividade física e reeducação alimentar, mas o uso de medicamentos ou insulina pode ser necessário (1).

Diabetes gestacional: pacientes diagnosticadas com alteração dos níveis de glicose durante a gestação. As alterações hormonais afetam a eficiência da insulina no organismo, obrigando o pâncreas a aumentar sua produção. Quando essa produção ainda é deficitária, há um quadro de diabetes. Altos níveis de glicose no organismo da mãe podem afetar o parto e até mesmo a vida adulta do bebê, com maior ocorrência de obesidade e diabetes (1). Mulheres com fatores de risco como sobrepeso, Síndrome dos Ovários Policísticos ou histórico familiar de diabetes precisam de acompanhamento desde o início da gravidez, e geralmente, a orientação nutricional é suficiente para o controle da diabetes gestacional (1). Após o parto, com alimentação balanceada e o aleitamento materno, o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 nas mães cai drasticamente (1).

Pré-Diabetes: Também chamado de Síndrome Metabólica, ocorre quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos que o normal, mas ainda não configura um diagnóstico de Diabetes tipo 2 (1). Pessoas com obesidade e hipertensão arterial são mais propensas a desenvolver este quadro. Neste estágio ainda é possível reverter ou retardar a evolução para o diabetes através de mudanças alimentares e prática de exercícios, mas 50% dos pacientes acabam desenvolvendo Diabetes tipo 2, especialmente pela dificuldade com o controle de peso (1).

 

Causas

Existem alguns fatores que determinam um risco maior de desenvolver diabetes. Para o tipo 1, o principal fator de risco é a genética (1). Para o tipo 2, pessoas com diagnóstico de pré-diabetes, pressão alta, colesterol alto, sobrepeso ou obesidade e apneia do sono, além de histórico com Diabetes gestacional e Síndrome dos Ovários Policísticos (no caso de mulheres), têm mais chance de desenvolver a doença.

 

Sintomas

Os principais sintomas da Diabetes, tanto no tipo 1 quanto no tipo 2, são o apetite exagerado, cansaço, sede, mudanças na visão, maior vontade de urinar, emagrecimento e fraqueza. Diferenciam-se na intensidade desses sintomas, sendo menos agressivos no tipo 2 (4).

Com a demora no diagnóstico, este quadro pode evoluir para desidratação, sonolência, vômitos, dificuldades respiratórias e até coma (4).

 

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado com exames de sangue e de glicemia, em mais de uma amostra, que medem a taxa de açúcar no sangue (1). O teste oral de tolerância à glicose, também conhecido por Curva Glicêmica, é usado para confirmar o diagnóstico e orientar o médico no tratamento (1).

 

Prevenção

Ainda que não seja possível alterar fatores de risco como hereditariedade e genética algumas mudanças de vida podem beneficiar e favorecer a prevenção da diabetes, especialmente para Tipo 2. Obesidade, sedentarismo e tabagismo são alguns dos principais fatores que podem ser combatidos e que aumentam as chances de desenvolver diabetes. Mudanças na dieta, favorecendo o consumo de frutas, verduras e legumes em vez de alimentos industrializados e ricos em gordura, trazem não só benefícios para o bem-estar (5).

 

Tratamento

O principal tratamento é o monitoramento dos níveis de glicose. A medição pode ser feita por meio de um monitor de glicemia ou bomba de insulina, com a frequência indicada pelo médico (1). É importante seguir a orientação profissional para os horários de medição e controle dos resultados. O acompanhamento indicará se há necessidade de uso ou ajuste na medicação, por exemplo.

Caso a medicação seja necessária, um dos principais recursos que podem ser utilizados no tratamento é a injeção de insulina. Novamente, é importante seguir a recomendação médica quanto à dose, frequência e aplicação, especialmente porque existem tipos diferentes de insulina (1).

Um outro ponto muito importante no tratamento é a educação (3). Informar familiares e pessoas mais próximas sobre restrições alimentares: tanto a hipoglicemia quanto a hiperglicemia precisam ser cuidadas de perto, e assim, evitar complicações da diabetes.

A hipoglicemia se caracteriza por um nível muito baixo de glicose no sangue ou por uma queda muito brusca desse índice. Alguns dos sinais da hipoglicemia são tremedeira, suores e calafrios, taquicardia, tontura, visão embaçada e sensação de formigamento dos lábios e na língua (1). Se não tratado rapidamente, pode evoluir para convulsões e até inconsciência. Nestes casos, a orientação médica é consumir uma pequena dose de carboidrato, como açúcar ou mel, medir a glicose novamente após 15 minutos ou procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Já a hiperglicemia acontece quando há pouca insulina no organismo (ou excesso de glicose). Pode ser causada por estresse, dose incorreta ou resistência à insulina, além de excesso de alimentação. Nestes casos o paciente tem mais sede e consequentemente, mais vontade de urinar, e os níveis de açúcar na urina ficam mais altos. Para baixar a glicose é preciso verificar ajustes na alimentação, em exercícios físicos, e quando necessário na dose dos medicamentos ou da insulina (1).

Tanto na hipoglicemia quanto na hiperglicemia, é importante registrar as ocorrências e comunicar o médico na próxima consulta.

 

Fontes:
1 – Sociedade Brasileira de Diabetes: http://www.diabetes.org.br/publico/diabetes/oque-e-diabetes 2 – Atlas da Diabetes: http://www.diabetesatlas.org/across-the-globe.html
3 – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-diabetes/
4 – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – https://www.endocrino.org.br/o-que-e-diabetes/
5 – Lyra, Ruy, Oliveira, Mônica, Lins, Daniel, & Cavalcanti, Ney. (2006). Prevenção do diabetes mellitus tipo 2. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 50(2), 239-249. https://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302006000200010