A diarreia na infância representa um problema significativo de saúde, particularmente nas crianças de baixa idade e que vivem em precárias condições sócio-econômicas¹. As crianças pequenas são as que pagam maior tributo a esta doença; 85% das mortes por diarreia acontecem em crianças no primeiro ano de vida¹ 

 

A criança tem como principais características dois processos dinâmicos, representados pelo crescimento e desenvolvimento. Estes processos, para ocorrerem de modo adequado, dependem de vários fatores¹. Em muitas situações, podem surgir intercorrências que prejudicam a evolução natural destes processos¹. A diarreia é sem dúvida uma das mais frequentes causas na parada do processo de crescimento e muitas vezes se associa nitidamente com o desencadeamento ou piora da desnutrição¹ 

 

As crianças com diarreia aguda devem receber hidratação e alimentação o mais precocemente possível, além da avaliação criteriosa da gravidade do caso, para decidir se o tratamento será ambulatorial ou hospitalar, se há necessidade de acrescentar outras medidas terapêuticas e naturalmente aproveitar esta oportunidade para educar a mãe sobre a doença, suas causa, complicações e prevenção¹.  

  

Do que se trata diarreia em crianças²? 

 A diarreia se caracteriza pelo aumento do número de evacuações por dia, com a eliminação de fezes podendo ser pastosa, semilíquida ou líquida. Assim, dizer que a criança está com diarreia se ela tem aumento no número de evacuações, aumento da quantidade de fezes ou alterações na consistência delas, em relação àquilo a que ela está acostumada. 

 

 Quais são as causas² 

A diarreia em crianças ou em bebês pode ter várias causas. As mais comuns são infecções, sensibilidade aos alimentos, efeitos colaterais de antibióticos e o consumo excessivo de frutas ou sucos. Outras infecções por vírus, bactérias e parasitas também podem ser causas de diarreia em crianças.  

 

Na maioria das vezes, as diarreias transmissíveis têm causa virótica, ainda que possam também ter outras causas. As diarreias das crianças sofrem uma grande influência da alimentação. 

 

Quais são os principais sinais e sintomas² 

As diarreias costumam causar muito mal-estar às crianças. É frequente que juntamente com o aumento do número de evacuações a criança apresente também febre ou vômitos. As evacuações podem ser pastosas, líquidas e semilíquidas e variarem de umas poucas vezes a uma dezena ou mais vezes por dia. Certas características das fezes, como consistência, frequência, odor, presença de pus ou sangue, etc dão indicações sobre a natureza e gravidade da diarreia. 

 

Como é o diagnóstico² 

O diagnóstico não apresenta dificuldades e é baseado tanto na história clínica, quanto no exame físico da criança. Em geral, os exames laboratoriais só são necessários quando se deseja diagnosticar com precisão a causa da diarreia. O médico e os familiares da criança devem estar atentos aos sinais de desidratação: a ausência de lágrimas, boca e língua secas, olhos fundos, pele murcha e pegajosa. 

 

Como é o tratamento² 

O tratamento das diarreias em crianças envolve tanto cuidados com as evacuações, quanto com a desidratação, que acarreta e que pode ser ainda mais grave que a própria diarreia. Hojeaconselha-se seguir consumindo os alimentos normalmente, apesar de que anteriormente se aconselhava restringi-los, com o objetivo de deixar descansar os intestinos.  

 

Os bebês devem manter a alimentação materna (aleitamento materno) ou com leites de fórmula para cada idade. Não existe uma dieta específica para combater a diarreia, mas as crianças toleram melhor as comidas mais leves. Frutas e verduras ajudam a produzir fezes mais firmes, mas os sucos de frutas podem produzir fezes menos consistentes. É importante dizer que, dependendo do caso, é necessário tratamento hospitalar para reidratação venosa. 

 

Como prevenir a diarreia em crianças² 

Para prevenir a diarreia nas crianças deve-se fazer uma boa higienização das mãos antes de manipular os alimentos e lavá-los bem antes de servi-los à criança, bem como ferver as chupetas e mamadeiras antes de usar. Além de lavar as mãos após o uso de banheiros. 

 

Quais são as complicações possíveis² 

A complicação mais frequente e temível da diarreia é a desidratação e ela é tanto mais perigosa quanto menor seja a criança. De um modo geral, a criança se desidrata mais facilmente que o adulto, porque tem uma porcentagem maior de água em seu organismo. Para evitá-la, não suspenda o aleitamento materno e dê à criança o soro de reidratação oral. O ideal é solicitar em uma farmácia ou em um posto de saúde o soro de reidratação oral, que já vem pronto para ser dissolvido em um litro de água, com a quantidade certa de eletrólitos. Mas em caso de emergência, o soro caseiro pode ser usado além de uma avaliação e orientação médica. 

 

Para fazê-lo usa-se um copo de 200 ml de água fervida, duas colheres rasas de açúcar e uma colher rasa de sal. É necessário que o soro seja oferecido sempre e em pequena quantidade para a criança com diarreia, observando os sinais de melhora. Além disso, a criança deve beber bastante de qualquer líquido a que esteja acostumada. O soro caseiro não corta a diarreia, apenas repõe os líquidos perdidos nas fezes e nos vômitos.  

 

Todo soro preparado deve ser utilizado em no máximo 24 horas. O que sobrar deve ser dispensado e um novo soro deve ser preparado para o uso, em caso de necessidade. 

   

Fontes: 
1 – Diagnóstico diferencial da diarreia na criança. UFBADisponível em http://www.medicina.ufba.br/educacao_medica/graduacao/dep_pediatria/disc_pediatria/disc_prev_social/roteiros/diarreia/diagnostico.pdf. Último acesso no dia 12 de junho de 2019. 
2  Diarreia em crianças: o que devemos saber? Federação das APAES de do Estado de S. Paulo. Disponível em http://www.feapaesp.org.br/material_download/212_Diarreia%20em%20crian%C3%A7as.pdfÚltimo acesso no dia 31 de março de 2019.