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A hepatite é um grave problema de saúde no país, mas nos últimos anos tiveram grandes conquistas em relação à prevenção e ao controle, começando pela identificação dos agentes virais, desenvolvimento de testes laboratoriais, rastreamento dos indivíduos infectados e até mesmo a criação de vacinas (1). De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, cerca de 325 milhões de pessoas no mundo vivem com infecção crônica pelo vírus da hepatite B (VHB) ou pelo vírus da hepatite C (VHC) (2). 

O relatório global sobre hepatites da OMS indica que a maioria das pessoas não tem acesso a testes e tratamentos, e como resultado, estão em risco de desenvolvimento de hepatite crônica, câncer e até mesmo de levar à morte (3). Os tipos mais comuns da doença no Brasil são as hepatites A, B e C (1).  

 

Hepatite A 

O vírus é transmitido via fecal-oral, muitas vezes pela água e alimentos contaminados. Normalmente é considerada benigna, mas pode existir “formas atípicas” da doença – nesse estágio é considerada a principal causa de insuficiência hepática aguda (1).  

A melhor maneira de prevenção é com higiene pessoal, limpeza de banheiros, tratamento da água, e evitar que indivíduos contaminados preparem refeições (1).  

 

Hepatite B 

A OMS estima que cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo já tiveram contato com o vírus da hepatite B e que 325 milhões de indivíduos são portadores crônicos (1). Por ser muitas vezes assintomática, a frequência ainda não pode ser mensurada (1).  

A transmissão acontece pela pele e mucosas. Algumas formas de contaminação: relações sexuais, exposição da pele à agulhas ou instrumentos contaminados, transfusão de sangue, uso de drogas intravenosas e procedimentos cirúrgicos que não respeitam a biossegurança (1). 

A forma mais eficaz de prevenção é por meio da vacina, que é extremamente eficaz: de 90% a 95% de resposta vacinal em adultos (1). Além disso, não é tóxica e não apresenta efeitos colaterais significativos (1).  

 

Hepatite C 

A transmissão acontece pelo contato com sangue contaminado pelo vírus. Usuários de drogas ilícitas e injetáveis, pacientes submetidos à hemodiálise e pessoas que sofreram acidentes com itens contaminados têm mais contato com o vírus (4). 

Ainda não existe vacina contra o vírus da hepatite C, e algumas maneiras de diminuir as infecções são: evitar o uso de drogas injetáveis com materiais compartilhados, uso de preservativo em relações sexuais, triagem de doadores de sangue e melhora na biossegurança em cirurgias médicas (1).  

 

Números 

  • Em 2015, o número de mortes causadas pela doença foi de 1,34 milhão, o que é comparável às mortes por tuberculose e HIV (2).  
  • Ainda em 2015, mais de 1,75 milhão de pessoas foram infectadas pelo vírus da hepatite C, o que totalizou mais de 71 milhões de pessoas no mundo convivendo com a doença (2).  
  • As infecções pelo vírus da hepatite B diminuíram por conta das vacinas – 84% das crianças nascidas no mundo todo em 2015 foram vacinadas (2). 
  • Estima-se que 257 milhões de indivíduos nascidos antes da introdução da vacina estejam vivendo com infecção crônica da hepatite B (2). 
  • A Estratégia Global do Setor da Saúde da OMS tem o objetivo de testar 90% e tratar 80% das pessoas com hepatites B e C até 2030 (2). 
  • 9% das infecções do vírus da hepatite B e 20% das do vírus da hepatite C foram diagnosticadas em 2015 (2). 
  • 8% das pessoas diagnosticadas com hepatite B estavam em tratamento e apenas 7% dos diagnosticados com a hepatite C iniciaram o tratamento (2). 
  • No Brasil, pelo menos 15% da população já esteve em contato com o vírus da hepatite B e 1% da população apresenta doença crônica a este vírus (1). 

 

Fontes:
  1. FERREIRA, Cristina Targa; SILVEIRA, Themis Reverbel da. Hepatites Virais: aspectos de epidemiologia e da prevenção. 2004. Disponível em https://www.scielosp.org/article/rbepid/2004.v7n4/473-487/pt/
  2. Organização Pan-Americana da Saúde. Novos dados sobre hepatites destacam necessidade de uma resposta global urgente. Disponível em https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5404:novos-dados-sobre-hepatites-destacam-necessidade-de-uma-resposta-global-urgente&Itemid=812
  3. OMS – Organização Mundial da Saúde. Relatório Global sobre hepatites.  2017. Disponível em http://www.who.int/hepatitis/publications/global-hepatitis-report2017/en/
  4. PASSOS, Afonso Dinis Costa. Aspectos epidemiológicos das hepatites virais. 2003. Disponível em https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/523