O nutricionista é o profissional que faz planejamentos de alimentação para as pessoas, incentivando melhores práticas e qualidade de vida. Eles atuam em diversos locais como hospitais, escolas, ginásios esportivos, clínicas e até mesmo empresas. 

No Brasil, por conta do extenso território e grande diversidade de cultura, que envolvem questões econômicas e políticas, trabalhar com um padrão de alimentação saudável é um verdadeiro desafio. O papel do profissional é entender opções para prevenir obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e osteoporose (1). Com a rotina, é possível associar qualidade de vida e a boa alimentação (1).  

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), na última década o aumento da obesidade foi de 60% (2). O excesso do tecido adiposo, principalmente na região abdominal, pode trazer prejuízos à saúde, causando doenças crônicas não-transmissíveis (DCNTs), que afetam o homem na atualidade: diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dispidemias e doença cardiovascular aterosclerótica (3).  

Nos últimos anos passamos por muitas mudanças no padrão de consumo alimentar no país, e parte da culpa dessas alterações alimentares está nos alimentos consumidos, que passaram a ter grande quantidade de gorduras, porém com a diminuição do consumo de carboidratos, apesar da ingestão excessiva da sacarose (3). A OMS recomenda o aumento do consumo de frutas, verduras e legumes e a restrição do consumo de gorduras, especialmente as saturadas (gorduras provenientes de carnes, leite e derivados) para contar com uma vida mais saudável (3).  

O peso corporal ideal, no entanto, varia de pessoa para pessoa, mas a prática de exercícios físicos aumenta a mobilidade e qualidade de vida, tornando possível a longevidade (1). Alguns grupos de pessoas como mulheres na pós-menopausa, por exemplo, são vulneráveis ao aumento de peso e tem dificuldade para redução (1).  

Os nutrientes na alimentação 

Os nutrientes têm papel fundamental na nossa saúde, e entender o que ingerimos é fundamental para atender às necessidades fisiológicas da melhor forma possível. 

Fibras: responsáveis pelo bom funcionamento do intestino, auxiliam o controle de diabetes e previnem doenças cardiovasculares. São encontradas no feijão, ervilha, grãp-de-bico, lentilha, chia, linhaça, goiaba, maçã, pêra e abacate (4); 

Carboidratos: massas, cereais, pães e doces. São fontes de energia para o corpo. O ideal é consumir carboidratos com alto teor de fibra como milho, ervilha, feijão, batata doce, pinhão e mandioca (1); 

Proteínas: reduzem a pressão arterial, influenciam funções físicas e cognitivas e tem ação antibacteriana. Encontradas em carnes, leites e ovos (5); 

Lipídios: fornecem energia alimentar e vitaminas A, D, E e K, além de reestruturar os tecidos (6); 

Minerais: reduzem o risco de osteoporose e fortalecem o sistema imunitário. Alguns exemplos são o cálcio e magnésio (5). 

O papel do nutricionista 

O nutricionista tem papel fundamental no desenvolvimento e promoção à saúde, reconhecendo a complexidade do quadro alimentar do país com formas de educar as pessoas sobre melhores práticas alimentares (7). O combate à fome, má nutrição e aos problemas de obesidade são essenciais para melhorar a qualidade de vida. O papel desse profissional é o de garantir acesso à educação alimentar (7).  

No Brasil é difícil educar a população, atingindo níveis ótimos de nutrição, pois contamos com problemas alimentares, transições nutricionais e altos impostos nos alimentos (7). Hoje o país convive com perfis nutricionais distintos, como por exemplo a evolução da desnutrição, a permanência das anemias carenciais, o incremento da obesidade e as doenças relacionadas a cada uma das dificuldades (7).  

O nutricionista analisa o cenário completo e traça planos que consideram outras barreiras como a geografia, economia, política e cultural, sugerindo caminhos para melhorar a qualidade de vida no que envolve alimentação e nutrição (7). 

 

Fontes: 
  1. SICHIERI, Rosely; COITINHO, Denise C.; MONTEIRO, Josefina B.; COUTINHO, Walmir F. Recomendações de Alimentação e Nutrição Saudável para a População Brasileira. 2000. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0004-27302000000300007&script=sci_arttext&tlng=pt  
  2. ANAD – Associação Nacional de Atenção ao Diabetes – Dia Mundial da alimentação: oportunidade de alerta sobre a relação com a comida. Disponível em http://www.anad.org.br/dia-mundial-da-alimentacao-oportunidade-de-alerta-sobre-a-relacao-com-a-comida/
  3. FERREIRA, Sandra Roberta G. Alimentação, nutrição e saúde: avanços e conflitos da modernidade. 2010. Disponível em http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252010000400011
  4. ANAD – Associação Nacional de Atenção ao Diabetes – Alimentos ricos em fibras: como as fibras agem no organismo. Disponível em http://www.anad.org.br/alimentos-ricos-em-fibras-como-as-fibras-dos-alimentos-agem-no-organismo/
  5. MARTINS F, Pinho O, Ferreira IMPLVO. Alimentos funcionais: conceitos, definições, aplicações e legislação. Disponível em https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/52634/2/47158.pdf  
  6. LOPES, Aline C.S., CAIAFFA, Waleska T.; SICHIERI, Rosely; MINGOTI, Sueli A.; LIMA-COSTA, Maria F. Consumo de nutrientes em adultos e idosos em estudo de base populacional: Projeto Bambuí. 2004. Disponível em https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0102-311X2005000400022&script=sci_arttext&tlng=eng  
  7. FERREIRA, Vanessa A.; MAGALHÂES, Rosana. Nutrição e promoção da saúde: perspectivas atuais. 2007. Disponível em https://www.scielosp.org/article/csp/2007.v23n7/1674-1681/