Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a obesidade como uma epidemia mundial, atingindo crianças, adolescentes e adultos tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento¹. Segundo informações coletadas na Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS), realizada em 2006, 21,6% dos adolescentes entre 15 e 19 anos estavam com excesso de peso, sendo que 4,4% deles se encontravam obesos e apenas 2,2% estavam com déficit de peso². 

 

A obesidade na adolescência é um grave problema de saúde pública e é definido como o acúmulo excessivo de gordura no organismo, estando ligado ao desenvolvimento de inúmeras desordens metabólicas, incluindo-se a intolerância à glicose, hiperlipidemia, complicações cardiovasculares e acidente vascular cerebral¹. 

 

Causas 

A obesidade é considerada uma doença crônica e multifatorial, ou seja, possui diversas causas. Segundo estudos, em 95% dos casos a obesidade tem forte influência de hábitos e do meio em que a pessoa vive, com destaque para hábitos alimentares, sedentarismo e fatores psicossociais. Os demais casos são divididos entre síndromes genéticas raras e causas endócrinas e secundárias a medicamentos³. 

 

Diagnóstico 

O diagnóstico de obesidade é feito pelo cálculo do IMC (peso em kg/estatura em m²) e devem ser comparados com as tabelas específicas para adolescentes, que estão disponíveis em https://www.who.int/childgrowth/en/. Via de regra, utiliza-se o percentil 85 para a definição de sobrepeso e 95 para obesidade. Outra avaliação considerada importante é o da circunferência abdominal (CA), que deve ser realizado por profissional da área de saúde. A avaliação laboratorial, a critério do médico, também pode levantar outras causas4.

 

Prevenção 

A prevenção é a melhor maneira de controlar essa doença crônica grave. As principais medidas são: 

– Adoção de alimentação saudável, como frutas, verduras e alimentos com baixo teor de gordura; 

– Limitar o consumo de alimentos com muito açúcar; 

– Fazer atividades físicas regulares e adotar um estilo de vida que privilegie, por exemplo, a troca de deslocamentos de carro por bicicleta ou a pé5;  

 

A avaliação psicológica é importante no acompanhamento de adolescentes com grave obesidade, que muitas vezes apresentam sintomas de depressão e ansiedade4.  

 

Tratamento 

O tratamento da obesidade deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar e focada, primeiramente, na mudança de estilo de vida, como a adoção de atividades físicas e de alimentação saudável. A participação e o apoio da família para que o adolescente deixe de ser obeso é fundamental. 

 

Existem, ainda, opções medicamentosas e cirúrgicas, que podem ser adotadas segundo critérios médicos4. 

 

 

FONTES: 
1 – Dâmaso AR. Etiologia da Obesidade. In: Dâmaso AR, coordenador. Obesidade. Rio de Janeiro: Medsi; 2003. p. 3-34https://www.scielosp.org/article/csc/2014.v19n6/1755-1762/ 
 Brasil, Ministério da Saúde (MS). Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher 2006: dimensões do processo reprodutivo e de saúde da criança, Estatística e Informação em Saúde. Brasília: MS; 2009. https://www.scielosp.org/article/csc/2014.v19n6/1755-1762/ 
3 –  Agência Nacional de Saúde Suplementar, manual de Diretrizes para Enfrentamento da Obesidade. http://www.ans.gov.br/images/Manual_de_Diretrizes_para_o_Enfrentamento_da_Obesidade_na_Sa%C3%BAde_Suplementar_Brasileira.pdf 
4 – Revista NESA (Nucleo de Estudos da Saúde do Adolescente), volume 7, Universidade do Estado de Rio de Janeiro (UERJ).  http://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.asp?id=175 
5 – Sociedade Brasileira de Pediatria, Obesidade na Infância e Adolescência: manual de orientaçãopag 27 e 28http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/publicacoes/14297c1-man_nutrologia_completo.pdf