O sono é um estado marcado pela diminuição da consciência, redução dos movimentos musculares esqueléticos e lentificação do metabolismo, e tem função restauradora essencial e importante papel na consolidação da memória¹Ele é um processo neuroquímico orquestrado e complexo, envolvendo centros cerebrais promotores do sono e do despertar¹. A propensão ao sono depende de dois fatores principais: a quantidade acumulada de privação de sono e a fase do relógio circadiano, de cerca de 24 horas, que aumenta à noite¹. 

  

Em uma sociedade extremamente competitiva as pessoas são estimuladas a produzir cada vez mais, acumulando quantidades de horas de trabalho insuficientes para que tenham determinadas posições dentro dos seus trabalhos, empresas ou locais de estudo². Dessa forma, substituem o horário de dormir pelo trabalho que levam para casa e pelas jornadas extras, chegando mais cedo ou saindo mais tarde, além de trabalhar aos finais de seman. O excesso do uso de eletrônicos também vem roubando as horas de sono e descanso². As pessoas levam para cama equipamentos como tablet, celular e computador, além de assistirem televisão no quarto².  Sabemos que o descanso sem dormir não proporciona a mesma sensação de renovação que experimentamos após uma noite de sono³. 

 

Quantas horas de sono necessitamos? 

Quando dormimos, geralmente passamos por cinco estágios distintos do sono¹. Estes estágios progridem num ciclo, do estágio 1, 2, 3, 4 ao sono REM (Rapid Eye Movement)¹ este ciclo se inicia novamente¹.  Gastamos, em média, 50% do nosso tempo total de sono no estágio 2, cerca de 20% em sono REM e 30% nos demais estágios¹. 

  

Durante o estágio 1, que é superficial e fugaz, mergulhamos no sono, voltamos à vigília e podemos ser despertados com facilidade¹. Quando entramos no estágio 2, nossos movimentos oculares param, e nossas ondas cerebrais tornam-se mais lentas¹. No estágio 3, começam a aparecer ondas extremamente lentas e intercaladas por ondas menores e mais rápidas¹. No estágio 4, as ondas são quase que exclusivamente de frequência delta¹. É muito difícil acordar alguém durante os estágios 3 e 4, que juntos são chamados de estágio delta ou de sono profundo¹. Os estágios 1, 2, 3 e 4 são chamados em conjunto de sono não-REM (NREM)¹.  

 

Quando passamos para o sono REM, nossa respiração se torna mais rápida, irregular e superficial. Os olhos movimentam-se em várias direções, em surtos rápidos, a intervalos regulares e, em homens, ocorre ereção peniana¹ 

 

Um ciclo completo de sono dura entre 90 e 110 minutos. Os primeiros ciclos de sono a cada noite contêm períodos relativamente curtos de sono REM e períodos longos de sono profundo. À medida que a noite passa, os períodos de sono REM aumentam enquanto os de sono profundo diminuem. Pela manhã, as pessoas passam quase todo o seu período de sono nos estágios 1, 2 e REM¹. 

 

A quantidade de sono de que uma pessoa necessita depende de vários fatores, incluindo a idade¹. A quantidade de sono aumenta se a pessoa estiver privada de sono em dias anteriores¹. Dormir muito pouco cria um débito de sono que necessita ser quitado para manutenção do bom funcionamento do organismo¹. Veja abaixo a quantidade de sono a cada faixa etária: 

 

 – Lactentes geralmente requerem cerca de 16 horas por dia, enquanto adolescentes necessitam de nove horas em média¹; 

 – Para a maioria dos adultos, 7 a 8 horas por noite parece ser a melhor quantidade de sono, embora haja pessoas que necessitam de apenas cinco horas e outras que precisam de dez horas de sono por dia¹; 

 – Mulheres nos primeiros três meses da gravidez necessitam frequentemente de várias horas adicionais de sono¹ 

 

Fontes: 
1 – O SONO: UM ESTADO ATIVO E DINÂMICO – BREVE HISTÓRIA DA MEDICINA DO SONO – ScieloDisponível em http://books.scielo.org/id/3qp89/pdf/jansen-9788575413364-09.pdfÚltimo acesso no dia 10 de setembro de 2019. 
2- SONO – Uma publicação da Associação Brasileira do Sono. Disponível em https://www.absono.com.br/assets/rev16.pdf. Último acesso no dia 10 de setembro de 2019. 
3– A evolução do sono do feto ao adulto: aspectos respiratórios e neurológicos -Jornal de Pediatria – Sociedade Brasileira de PediatriaDisponível em http://www.jped.com.br/conteudo/98-74-05-357/port.pdf. Último acesso no dia 10 de setembro de 2019.