A vitamina D e seus pró-hormônios têm sido alvo de um número crescente de pesquisas nos últimos anos, demonstrando sua função além do metabolismo do cálcio e da formação óssea, incluindo sua interação com o sistema imunológico¹. Isto não é uma surpresa, tendo em vista a expressão do receptor de vitamina D em uma ampla variedade de tecidos corporais como cérebro, coração, pele, intestino, gônadas, próstata, mamas e células imunológicas, além de ossos, rins e outras glândulas¹. 

 

A vitamina D não é uma vitamina no sentido estrito, mas, sim, um pró-hormônio². Há duas formas disponíveis com diferenças estruturais: a vitamina D2, que é derivada de plantas e fungos, e a vitamina D3, que é sintetizada por animais como, por exemplo, peixes, aves e vertebrados, e na pele humana por ação dos raios ultravioleta (UVB) e pela exposição ao sol². Quantidades inferiores a 10% são provenientes de fontes dietéticas². 

 

A vitamina D é essencial em funções relacionadas ao metabolismo ósseo, porém parece também estar relacionada a diversas doenças³. Em crianças, a deficiência de vitamina D leva ao retardo do crescimento e ao raquitismo³. Em adultos, a deficiência de vitamina D, conhecida como hipovitaminose D, leva à osteomalácia, ao hiperparatiroidismo secundário e, consequentemente, ao aumento da reabsorção óssea, favorecendo a perda de massa óssea e o desenvolvimento de osteopenia e osteoporose³. Fraqueza muscular também pode ocorrer, o que contribui para elevar ainda mais o risco de quedas e de fraturas ósseas em pacientes com baixa massa óssea³.  

 

Estudos atuais têm relacionado a deficiência de vitamina D com várias doenças autoimunes, incluindo diabetes melito insulino-dependente (DMID), esclerose múltipla (EM), doença inflamatória intestinal (DII), lúpus eritematoso sistêmico (LES) e artrite reumatoide (AR). Diante dessas associações, sugere-se que a vitamina D seja um fator extrínseco capaz de afetar a ocorrência de doenças autoimunes¹.  

 

A vitamina D parece interagir com o sistema imunológico através de sua ação sobre a regulação e a diferenciação de células, além de interferir na produção de citocinas¹.  

 

Recentes evidências sugerem que a vitamina D pode ter ações, além da manutenção da saúde óssea e da regulação do metabolismo do cálcio e fósforo, tais como a modulação do risco de doenças cardíacas, neoplasias, esclerose múltipla, obesidade, asma e diabetes tipo 1¹ 

 

Fontes: 
1 – A importância dos níveis de vitamina D nas doenças autoimunes – Scielo. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042010000100007.Último acesso no dia 9 de dezembro de 2019. 
2 – Deficiência de vitamina D em crianças e adolescentes– Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2015/02/vitamina_d_dcnutrologia2014-2.pdf  Último acesso no dia 9 de dezembro de 2019. 
3 – Recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D – Scielo. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302014000500411Último acesso no dia 9 de dezembro de 2019.