Nós já explicamos aqui o que é endometriose e agora vamos falar sobre os tipos dessa doença crônica que ocorre em mulheres durante os anos reprodutivos e tem relação com a dor pélvica (cólica) e infertilidade¹.

Para contextualizar rapidamente, a endometriose ocorre quando o tecido normal do revestimento do útero, conhecido como endométrio, encontra-se fora da cavidade uterina. Em cada ciclo menstrual, a maior parte do revestimento do útero é eliminado durante a menstruação. No entanto, uma parte desse fluxo vai em direção a pelve¹. Em algumas mulheres, as células do endométrio que se instalam na pelve podem se desenvolver e permanecer neste local, respondendo, ou não, ciclicamente aos estímulos hormonais mensais, provocando a endometriose.

A endometriose tem classificações que procuram identificar a localização das lesões, o grau de comprometimento dos órgãos e a severidade da doença e recentes avanços na pesquisa da doença recomendam uma nova classificação em três diferentes tipos²:

 

Endometriose peritoneal superficial

São lesões espalhadas na superfície do interior do abdômen. Embora sejam superficiais, muitas vezes estão localizadas sobre órgãos nobres como o intestino, bexiga e ureter e, por isto, os cuidados cirúrgicos devem ser bem observados para que se evitem complicações².

Endometriomas ou endometriose de ovário

Atinge a face externa dos ovários e provoca uma retração para o interior do mesmo. Tem um diagnóstico relativamente fácil, feito por ultrassom. O tratamento quase sempre é cirúrgico por videolaparoscopia. O rigor da técnica cirúrgica utilizada é fundamental para que se evite o prejuízo da reserva ovariana, caso contrário, junto com o tecido do cisto, poderá ser retirado também tecido ovariano com óvulos de boa qualidade, podendo levar à falência ovariana precoce².

Endometriose profunda

É a que apresenta a forma mais agressiva, comprometendo o bem-estar e a qualidade de vida das pacientes. Pode interferir na fertilidade mesmo quando são usadas as técnicas de reprodução assistida. São profundos e envolvem outros órgãos, como os ligamentos útero-sacro (que sustentam o útero), bexiga, ureteres, septo reto-vaginal (espaço entre reto, o útero e a vagina) e intestino².

 

Tratamento³
 Para diagnosticar a doença, o exame ginecológico clínico é o primeiro passo, seguidos pelos exames laboratoriais e de imagem. O diagnóstico de certeza, porém, depende da realização da biópsia.

A endometriose regride espontaneamente com a menopausa, em razão da queda na produção dos hormônios femininos e fim das menstruações. As mulheres mais jovens podem utilizar medicamentos que suspendem a menstruação. Já as lesões maiores, em geral, devem ser retiradas cirurgicamente. Quando a mulher já teve os filhos que desejava, a remoção dos ovários e do útero pode ser uma alternativa de tratamento.

 

Fontes:
1 – ENDOMETRIOSIS. GUÍA PARA PACIENTES – American Society for Reproductive Medicine. Disponível em https://www.reproductivefacts.org/globalassets/rf/news-and-publications/bookletsfact-sheets/spanish-fact-sheets-and-info-booklets/endometriosis-spanish.pdf. Último acesso em 09 de abril de 2020.
2- O QUE É ENDOMETRIOSE – Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia. Disponível em https://ipgo.com.br/o-que-e-endometriose/. Último acesso em 09 de abril de 2020.
3-DICAS EM SAÚDE: ENDOMETRIOSE – Biblioteca Virtual em Saúde Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/250_endometriose.html.Último acesso em 08 de abril de 2020.